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27/03/2026 às 06h57

Redação

Campo Grande / MS

Sicário obteve dados sigilosos do Banco Central para Vorcaro
Luiz Phillipi Mourão teria enviado documentos restritos sobre crimes financeiros via celular em julho de 2025
Sicário obteve dados sigilosos do Banco Central para Vorcaro
Foto arquivo

Informações confidenciais envolvendo o executivo Daniel Vorcaro vieram a público após o Banco Central (BC) emitir uma notificação ao Ministério Público Federal (MPF), em 15 de julho de 2025, a respeito de irregularidades no Banco Master. Apenas nove dias depois do alerta, o ex-banqueiro teria recebido documentos restritos do órgão ministerial enviados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pela alcunha de “Sicário”. O material continha detalhes sobre apurações de ilícitos financeiros e a transação de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).


Conforme reportado pelo jornal O Globo, houve uma intrusão indevida no sistema do MPF em 23 de julho de 2025. No dia seguinte, Mourão teria encaminhado via celular três procedimentos sob sigilo diretamente ao banqueiro. Dentre os arquivos vazados estava a investigação que culminou na prisão de Sicário pela Polícia Federal, ocorrida em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos.


O alerta inicial do Banco Central foi motivado pela detecção de uma “cessão de créditos inexistentes ao BRB, adquiridos pelo Banco Master”, operação que se enquadra como crime financeiro. De acordo com os protocolos legais vigentes, o BC e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) têm a obrigação de reportar ao Ministério Público quaisquer indícios de infrações de ação pública.


As investigações da Polícia Federal sinalizam que Vorcaro e seu círculo buscavam nos arquivos nomes específicos como “Banco Master”, “Vorcaro” e “Nelson Tanure”, este último apontado pela PF como sócio oculto da entidade. A concomitância entre a notificação do BC e o vazamento das peças reforçou a tese de que houve acesso ilícito a dados protegidos não apenas do MPF e da PF, mas também de órgãos internacionais como a Interpol e o FBI.


Segundo a corporação, a atuação de Sicário consistia em capturar dados privados e vigiar oponentes de Vorcaro. O esquema ainda previa a neutralização de episódios críticos ao grupo, inclusive com a exclusão de postagens em redes sociais. O caso também atinge a cúpula do Banco Central: Daniel Vorcaro mantinha interlocução com Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretores da autarquia. Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ambos foram removidos de suas funções.

FONTE: Juan Araújo

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