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09/04/2026 às 09h24

Redação

Campo Grande / MS

Master pagava dez vezes mais para o escritório da esposa de Moraes
Escritório Barci de Moraes tinha um contrato de 129 milhões de reais por três anos com o banco de Vorcaro
Master pagava dez vezes mais para o escritório da esposa de Moraes
Foto arquivo

Documentos apresentados pelo Banco Master à Receita Federal apontam que a instituição financeira de Daniel Vorcaro pagava até dez vezes mais ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, do que a outras bancas de advocacia.


Segundo O Globo, o Master pagou 265 milhões de reais aos 61 escritórios contratados em 2025.


Sozinha, a banca de advogados da esposa de Moraes recebeu 40,1 milhões de reais no ano passado, 13 milhões de reais a mais do que o segundo escritório que mais recebeu recursos do banco de Vorcaro.


Comparação


No mesmo período, o escritório Rueda Advogados Associados, do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, recebeu 1 milhão de reais para fazer “dezenas de pareceres e centenas de reuniões, incluindo mais de 1.000 audiências, cerca de 20 mil protocolos e aproximadamente 400 acordos”.


O escritório Barci de Moraes recebeu 40 vezes mais, diz o jornal.


O escritório da esposa de Moraes admitiu que “foi contratado, no período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, pelo cliente Banco Master, para o qual realizou ampla consultoria e atuação jurídica, por meio de uma equipe composta por 15 (quinze) advogados“ — o negrito é da própria nota.


Atuaram “duas equipes jurídicas responsáveis pela consultoria e atuação jurídicas”, que realizaram 94 reuniões de trabalho e produziram 36 pareceres e opiniões legais, segundo o Barci de Moraes.


“O escritório esclarece ainda que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal)”, diz a nota, que menciona entre os serviços prestados a “estruturação do departamento de compliance”.


Incompatibilidade


Para o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o valor apontado pela Receita Federal é incompatível com os serviços prestados.


“A CPI recebeu documentos que confirmaram os pagamentos realizados no ano de 2024 do Banco Master para o escritório Barci de Moraes. Em nota publicada há algum tempo, o próprio escritório confirmou a existência do contrato e apresentou descritivo de serviços que foi amplamente considerado incompatível com o valor pago”, disse o senador ao Globo.

FONTE: O Antagonista

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