16/04/2026 às 06h28
Redação
Campo Grande / MS
Gilmar Mendes (foto) não é conhecido exatamente pela delicadeza de suas manifestações públicas, mas sua reação ao pedido de indiciamento feito pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) saiu do tom habitual mesmo para alguém acostumado a desafios e deboches públicos.
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF) se encheu de valentia para dizer, durante sessão de julgamento da Segunda Turma na terça-feira, 14, que o “chamaram para dançar” e que adora ser desafiado, que se diverte com isso.
Gilmar partiu para a baixaria aberta ao mencionar o ex-procurador-geral Rodrigo Janot no contexto da Operação Lava Jato, ao dizer que “às três horas da tarde, Janot já estava bêbado”.
O pior da manifestação do ministro do STF não foi a vulgaridade com que trata os adversários, contudo, mas o tom de ameaça contra o senador que ousou pedir sua investigação.
Esse tom de ameaça foi reforçado na mesma sessão de julgamento, de forma mais explícita, por seu colega Dias Toffoli, que falou em “inelegibilidade” por abuso de poder.
Motivos para desconfiar
É curiosa a crítica que tem sido feita a Vieira, de que o senador aproveitou-se de uma CPI sobre outro assunto, o crime organizado, para pedir investigação sobre a atuação de ministros do STF no caso do Banco Master, e que o parlamentar o teria feito sem provas.
Motivos para desconfiar de Gilmar, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no caso do Master não faltam, como o relatório reprovado pela CPI do Crime Organizado deixou claro.
Gilmar atropelou a relatoria de André Mendonça para suspender quebra de sigilo da Maridt, empresa de que Toffoli é sócio. Toffoli, por sua vez, monopolizou a investigação do Master no STF o quanto pôde e só não conseguiu travá-la mais por pressão dos fatos revelados pela imprensa.
Já Moraes desengavetou uma ação que propõe dificultar delações premiadas no momento em que especula-se que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Master, pode delatá-lo.
Quem investiga?
Além disso, o STF não instruiu a prorrogação da CPMI do INSS, que também ameaçava investigar o caso Vorcaro, e nem a instalação da CPI do Banco Master, ao contrário do que fez na CPI da Pandemia, durante o governo de Jair Bolsonaro.
Diante de tudo isso, o errado é um senador que ousou pedir investigação sobre os ministros do Supremo e o procurador-geral da República, Paul Gonet, que finge que nada está acontecendo?
A ameaça de retaliação contra Vieira torna-se ainda pior quando se considera que seu relatório nem sequer foi aprovado pela CPI, graças a uma manobra do governo Lula para mudar membros.
Vinganças
O histórico recente do STF não é animador para o senador — e para ninguém que ousa desagradar os ministros do STF.
Ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol perdeu o mandato de deputado por uma exagerada, para dizer o mínimo, decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ex-juiz da Lava Jato, o senador Sergio Moro (PL-PR) passou boa parte de seu mandato sob a ameaça de perdê-lo. Hoje, ainda descansa ameaçador em alguma gaveta virtual do STF o processo criminal gerado por uma piada contada por Moro sobre Gilmar em uma festa junina.
Quem conduz a dança em Brasília é Gilmar.
FONTE: Rodolfo Borges
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