24/04/2026 às 07h57
Redação
Campo Grande / MS
Ao longo desta semana, o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes (foto), concedeu uma série de entrevistas. Algo inédito. Gilmar tentou, ao máximo, salvar a pele da Corte e desqualificar um de seus maiores críticos, o pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema. O resultado foi diametralmente oposto: de uma só vez, Gilmar intensificou a crise no Supremo como, também, catapultou a pré-candidatura do ex-governador de Minas Gerais.
Nas entrevistas, Gilmar conseguiu a proeza, com muitas aspas, diga-se, de defender o indefensável inquérito das fake news; quis jogar a crise do banco Master para o colo da Faria Lima; atacou o sotaque do ex-governador mineiro e, para completar, ainda soltou uma frase que pode ser considerada transfóbica no dicionário de Erika Hilton (PSOL) ao mencionar uma suposta homossexualidade de Zema. Ao menos, neste último caso, Gilmar teve a decência de pedir desculpas publicamente nas redes sociais.
Gilmar falou muito, e explicou pouco. Em suas falas, o decano do STF não conseguiu elucidar, por exemplo, por qual motivo a Corte tem tanta resistência em adotar um código de ética que possa reger o comportamento dos seus integrantes; Gilmar também não deixou claro se apoiaria ou não algum tipo de controle externo no Tribunal ou mesmo se endossaria medidas para intensificar a transparência como, por exemplo, a publicação de valores obtidos em palestras ou cursos prestados pelos magistrados. Ou mesmo de eventos apadrinhados por eles, como o tal Gilmarpalooza.
Em relação a Zema, as falas de Gilmar – que tinham como intuito intimidar o pré-candidato – serviram apenas para incentivá-lo, ainda mais, a intensificar as críticas ao Tribunal. Zema ganhou eleitores, popularidade e engajamento nas redes sociais.
O tal vídeo da série “Os Intocáveis”, em que Gilmar anula a quebra de sigilo bancário e fiscal de empresas ligadas ao seu colega Dias Toffoli e, em troca, ganha uma entrada no Resort Tayayá, ganhou impulsionamento e virou uma espécie de símbolo da resistência à tal ditatura da toga. Termo esse criticado por uma ala da Corte, principalmente pelo ministro Flávio Dino.
Quem conhece o decano do STF não se surpreende com o teor das declarações. Nem com sua falta de filtro. Boquirroto, Gilmar nunca teve pudores ao atacar adversários. Mas, ao contrário do que ocorreu em outras ocasiões, Gilmar deu um tiro no pé. E perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado.
*Wilson Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Maranhão. Trabalhou em veículos como Agência Estado, Portal iG, Congresso em Foco, Gazeta do Povo e IstoÉ. Acompanha o poder em Brasília desde 2012, tendo participado das coberturas do julgamento do mensalão, da operação Lava Jato e do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2019, revelou a compra de lagostas por ministros do STF.
FONTE: Wilson Lima
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