18/05/2026 às 11h31
Redação
Campo Grande / MS
Lula não gosta de Jorge Messias. Ao menos aparentemente. Após sofrer uma derrota histórica no Senado, o presidente da República quer, novamente, indicar o seu advogado-geral para a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma postura inacreditável, mesquinha e que mostra um talento raro: a capacidade de transformar o constrangimento em método de governo.
Em qualquer democracia minimamente funcional, uma derrota humilhante no Senado serviria como aviso claro: procure outro nome. Para Lula, porém, a lógica é diferente. Ele vai dobrar a aposta no vexame.
Imaginem a cena: Lula envia a mensagem presidencial com o nome de Messias para o Senado. Messias vai, de novo, de gabinete em gabinete pedir as bênçãos dos senadores; Messias, de novo, passa pelo constrangimento de se submeter a uma sabatina e com o risco de se rejeitado… de novo.
A insistência em Messias não é uma escolha técnica ou institucional. Tornou-se uma obsessão política. Lula defende a prerrogativa presidencial de enviar um nome de sua confiança. Mas se esquece que também é prerrogativa do Senado rejeitar a indicação do Poder Executivo, quando há vícios na indicação.
A primeira rejeição de Jorge Messias foi histórica. Não porque o AGU seja um jurista irrelevante — embora tampouco seja um nome incontornável —, mas porque sua candidatura nasceu contaminada pela imagem de um advogado pessoal do lulismo tentando vestir a toga de ministro do STF. O Senado entendeu o recado. O Centrão entendeu o recado. Até aliados do governo entenderam o recado. Quem aparentemente não entendeu foi o próprio Lula.
Lula precisa entender que o Senado de hoje não é aquele dos seus dois primeiros governos. O petista ainda não entendeu que a Casa deixou de ser mera carimbadora de indicações, abastecido por cargos, verbas e afagos do Planalto. Lula não tem mais cargos, nem dinheiro, nem apoio popular. Os senadores entenderam que Lula está enfraquecido e que sua popularidade não intimida mais ninguém.
A recondução de Messias ao sacrifício tem cheiro de revanche pessoal. Lula parece disposto a testar até onde vai a submissão do Senado. E isso revela mais sobre o presidente do que sobre o indicado. O gesto soa menos como defesa de um nome e mais como demonstração de arrogância institucional. Algo na linha: “eu indico quem eu quiser, quantas vezes eu quiser”.
Política não funciona no grito. E Lula deveria saber disso.
FONTE: Wilson Lima
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