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Política

19/08/2015 às 20h11

Redação

Campo Grande / MS

Cunha diz que não deixará comando da Câmara mesmo se for denunciado
Presidente da Câmara, acusado de receber R$ 5 milhões em propina, disse ainda que não vai se defender no plenário e acusou governo de fazer "acordão" com a PGR
Cunha diz que não deixará comando da Câmara mesmo se for denunciado

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que não pretende deixar a presidência da Casa mesmo se for denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por acusação de envolvimento no esquema de corrupção da Lava Jato. O peemedebista foi acusado de receber R$ 5 milhões em propina e deve ser denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. "Eu não farei afastamento de nenhuma natureza. Vou continuar exatamente no exercício pelo qual eu fui eleito pela maioria da Casa. Absolutamente tranquilo e sereno com relação a isso", disse Cunha a jornalistas. "Eu não misturo o meu papel de presidente da Casa com as eventuais situações que possam envolver a minha pessoa. Exercerei o meu papel de presidente da forma que, institucionalmente, eu tenho que exercer. Eu não faço papel de retaliação nem tomo atitudes por causa de atitudes dos outros".


Ele também disse que não vai se defender no plenário da Câmara: "Não farei jamais discurso em plenário com relação a nenhum assunto, não pretendo fazê-lo". Em seu Twitter, o deputado ainda não havia comentado a possibilidade de ser denunciado até a noite desta quarta.


"Acordão"


A aliados, o presidente da Câmara disse que o governo costurou um "acordão" com a Procuradoria-Geral da República para prejudicá-lo na Operação Lava Jato e "salvar" quem interessa ao Palácio do Planalto.


De acordo com investigadores, pesa contra o presidente da Câmara uma possível participação na movimentação de recursos na Suíça. As investigações apontaram o equivalente a R$ 54,5 milhões depositados pelo executivo Julio Camargo em contas indicadas pelo lobista Fernando Soares, apontado como o operador do PMDB na Petrobras.


Reservadamente, Cunha desabafou que o governo queria que a denúncia saísse antes das manifestações de domingo, para dar munição às ruas. Ele diz a interlocutores que é "vítima" de uma armação do governo, repetindo tom do discurso adotado desde que foi incluído na lista de investigados da Operação Lava Jato, em março.


Procurado pela reportagem, Cunha disse que só se manifestará após a denúncia. "Não vou comentar. Só vou comentar quando houver fatos. Suposições eu não comento", disse Cunha ao ser questionado por jornalistas na Câmara.


Ele deve soltar uma nota após a confirmação da denúncia dizendo que não participa de "acordão".

FONTE: IG Minas Gearsi

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