A defesa do petista comemorou a decisão e deve buscar a anulação da sentença proferida anteriormente pelo juiz Sérgio Moro no caso do tríplex do Guarujá — que está fora da decisão de ontem do Supremo. Cristiano Zanin Martins, um dos advogados de Lula, afirmou, em comunicado à imprensa, que “não há qualquer elemento concreto” que posso justificar a competência da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba nos processos que envolvem o ex-presidente. “Entendemos que essa decisão da Suprema Corte faz cessar de uma vez por todas o juízo de exceção criado para Lula em Curitiba, impondo a remessa das ações que lá tramitam para São Paulo”, ressaltou.
A Justiça Federal e o Ministério Público do Estado terão que decidir se será aberta uma nova investigação com base nas informações dos delatores da Odebrecht. João Paulo Martinelli, professor de direito e advogado criminalista, explicou que, se isso ocorrer, um novo processo poderia ser feito, criando conflito de competência. “Caberia ao Supremo Tribunal Federal (STF) decidir qual será o processo que continuará em andamento, se o de São Paulo ou o de Curitiba”, destacou. “Assim, a defesa de Lula deve utilizar o argumento de que Moro não poderia ter julgado o processo do tríplex, e exigir a nulidade da decisão”, completou. A jornalistas, o ministro do STF, Gilmar Mendes, confirmou a possibilidade ao término da sessão.
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Com a deliberação da Segunda Turma do STF, Moro só poderá utilizar outros materiais probatórios para proferir a sentença, como testemunhas e documentos, por exemplo. De acordo com especialistas, o caso do sítio de Atibaia deve apresentar maior conteúdo que possa comprometer o ex-presidente. A ação está na fase de depoimentos de testemunhas. A pedido dos réus, mais de 100 pessoas foram chamadas para auxiliar na defesa. O prazo para as entrevistas deve ocorrer até 29 de junho.
Lula foi preso no último dia 7 de abril por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A pena imposta ao petista é de 12 anos e um mês. A Segunda Turma também retirou do juiz Sérgio Moro outra parte da delação da Odebrecht, que trata sobre a refinaria Abreu e Lima, localizada em Pernambuco. Os depoimentos ficarão à disposição da Justiça estadual.
Mais recursos da defesa
Advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entraram com dois recursos no Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF-4) contra a condenação no caso do tríplex do Guarujá (SP). A defesa quer que o caso seja levado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de chegar a Brasília, no entanto, o recurso especial (STJ) e o extraordinário (STF) têm que passar pela vice-presidência do TRF-4, que decide o que vai, ou não, para as instâncias superiores.

