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Brasil

07/11/2018 às 10h12

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Redação

Campo Grande / MS

Esquerda perde representação no País
Para líder do PT "o Brasil vive um processo de desconstrução da política"
Esquerda perde representação no País
Foto Dida Sampaio

Num pleito marcado pelo crescimento de candidaturas de direita, os cinco principais partidos de esquerda no País – PTPCdoBPSOLPDT e PSB – elegeram 25% menos representantes em relação a 2010, auge dessas siglas nas urnas. Um levantamento feito pelo Estado mostra que, em 2018, a esquerda levou 393 nomes para governos estaduais, Câmara, Senado e Assembleias Legislativas nos estados. Em 2010 (último ano do governo Lula), esse número havia batido em 527.


O PT foi o partido com mais redução no período: neste ano, elegeu 149 nomes para cargos no Executivo e Legislativo, 41% menos comparado a 2010, quando fez 255. Os resultados das urnas mostram que a eleição neste ano foi marcada por forte sentimento antipetista dos eleitores. Já o PSB caiu de 118 para 101; o PDT, de 107 para 84, e o PCdoB, de 34 para 31. Entre os partidos de esquerda no País, só o PSOL cresceu em número de representantes. Passou de dez eleitos, em 2010, para 28 neste ano.


Para a cientista política Vera Chaia, da PUC-SP, o resultado nas urnas está ligado ao crescimento da oposição ao PT e ao surgimento de uma “onda conservadora” que começou a tomar forma depois das manifestações de rua de 2013. “Ela já existia antes, mas é a partir de 2013 que surge a possibilidade de ela se manifestar. A pauta dessa nova direita, conservadora nos costumes, faz com que o eleitorado se identifique com ela”, afirmou Chaia.


No Congresso, com número de cadeiras insuficiente para barrar, por exemplo, emendas à Constituição – que exigem aprovação de três a cada cinco dos parlamentares –, o desafio da esquerda na oposição será tentar colar a imagem de impopular no próximo governo. Na avaliação de analistas, mesmo com a maior bancada, o PT terá dificuldades para influenciar decisões no Legislativo, caso o presidente eleito, Jair Bolsonaro, tenha sucesso em organizar sua base.


“O que a esquerda vai fazer é chamar atenção para a agenda do novo governo, tentando demonstrar que ela está mais sintonizada com interesses dos mais ricos, do mercado, e menos com o da população”, diz o analista político do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz. Por outro lado, o ônus de qualquer derrota no Congresso ficará com o Planalto, o que pode beneficiar a esquerda. “A oposição não poderia ser responsabilizada por eventual fracasso do governo porque é ele que tem a maioria.”


Queiroz vê um cenário mais favorável à oposição no Senado, onde a fragmentação partidária e o maior número de parlamentares de centro pode facilitar a disputa por votos. “(A oposição) vai buscar se compor com o centro no Senado para derrotar o governo ou, pelo menos, para amenizar os efeitos mais duros das propostas, torná-la mais palatável para os eleitores.”


Municípios


Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram também uma queda no número de eleitos desses partidos para Câmaras municipais e prefeituras. Em 2012, o auge da esquerda nas eleições municipais, essas siglas conseguiram eleger 14,8 mil candidatos em todo o País. Em 2016, ano do impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, foram 12,3 mil – queda de quase 10% no número de eleitos.


O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (RS), minimiza as baixas e afirmou que o Brasil vive um processo de desconstrução da política e, neste sentido, os partidos políticos tradicionais teriam sido os mais atingidos por esse processo. Pimenta afirma ainda que o Brasil viveria um momento de “criminalização” da política, que, segundo o deputado, seria causada pela Operação Lava Jato e “por parte do Judiciário”. / MATHEUS LARA, PAULO BERALDO, TULIO KRUSE, ANA BEATRIZ ASSAM e CARLA BRIDI; SARA BAPTISTA e CAÍQUE ALENCAR, ESPECIAIS PARA O ESTADO

FONTE: Estadão Conteúdo

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