08/12/2015 às 13h46
Redação
Campo Grande / MS
O vice-presidente Michel Temer ontem, 7, uma carta à presidente Dilma Rousseff em que reclama da desconfiança do governo em relação a ele e ao PMDB. Temer revelou parte do conteúdo da mensagem em seu perfil no Twitter, depois que trechos da carta vazaram na imprensa. Segundo a assessoria do vice-presidente, o peemedebista ficou surpreso com a divulgação, já que a mensagem foi enviada em "caráter pessoal" e sem publicidade.
"Diante da informação de que a presidente o procuraria para conversar, Michel Temer resolveu apontar por escrito fatores reveladores da desconfiança que o governo tem em relação a ele e ao PMDB", disse a Vice-Presidência. "Ele rememorou fatos ocorridos nestes últimos cinco anos, mas somente sob a ótica do debate da confiança que deve permear a relação entre agentes públicos responsáveis pelo país."
Apesar do tom de desabafo da carta, a assessoria de Temer afirma que o vice não propôs o rompimento entre partidos ou com o governo. A mensagem da Vice-Presidência, divulgada em uma série de tuítes, se encerra informando que Temer vai manter a "discussão pessoal no campo privado".
Temer vinha mantendo um silêncio público desde que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitou pedido de abertura de impeachment contra Dilma na quarta-feira. Nos últimos dias, Dilma tem repetido reiteradamente ter confiança em Temer. De acordo com uma fonte ligada ao vice, as declarações foram interpretadas pelo peemedebista como uma cobrança pública de lealdade, algo que o incomodou.
Aliado - Também nesta segunda-feira, o ministro demissionário da Secretaria de Aviação Civil (SAC) Eliseu Padilha, um dos aliados mais próximos de Temer, negou que tenha deixado o ministério na semana passada, após o acolhimento da denúncia contra Dilma na Câmara, para ajudar na deposição da presidente. "Quem conhece o presidente Michel Temer e me conhece sabe que conspiração não cabe no nosso vocabulário", afirmou Padilha.
São Paulo, 07 de dezembro de 2015
Senhora Presidente,
“Verba volant, scripta manent”.
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Por isso lhe escrevo. Muito a propósito do intenso noticiário destes últimos dias e de tudo que me chega aos ouvidos das conversas no Palácio.
Esta é uma carta pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo.
Desde logo lhe digo que não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade. Tenho-a revelado ao longo destes cinco anos.
Lealdade institucional pautada pelo art. 79 da Constituição Federal. Sei quais são as funções do Vice. À minha natural discrição conectei aquela derivada daquele dispositivo constitucional.
Entretanto, sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB. Desconfiança incompatível com o que fizemos para manter o apoio pessoal e partidário ao seu governo.
Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança. E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu o candidato à reeleição à Vice.
Tenho mantido a unidade do PMDB apoiando seu governo usando o prestígio político que tenho advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no partido.
Isso tudo não gerou confiança em mim. Gera desconfiança e menosprezo do governo.
Vamos aos fatos. Exemplifico alguns deles.
A senhora sabe que, como Presidente do PMDB, devo manter cauteloso silencio com o objetivo de procurar o que sempre fiz: a unidade partidária.
Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que o País terá tranquilidade para crescer e consolidar as conquistas sociais.
Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB hoje e não terá amanhã.
Lamento, mas esta é a minha convicção.
Respeitosamente, \ L TEMER
A Sua Excelência a Senhora
Doutora DILMA ROUSSEFF
DO. Presidente da República do Brasil
Palácio do Planalto
Brasília, D.F.
FONTE: Com agência Reuters
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