Sábado, 11 de abril de 2026
(67) 9-9959-0792
Alcinópolis

09/12/2015 às 17h11

Redação

Campo Grande / MS

Pai que se dedica em tempo integral ao filho faz evento para cobrir custos de tratamento
Pai que se dedica em tempo integral ao filho faz  evento para cobrir custos de tratamento

‘Meu filho é autista e, infelizmente, o diagnóstico veio tardio, ele perdeu chances de tratamento adequado e tomou remédios que eram para outras coisas como a esquizofrenia’. A frase é do Deir Ferreira de Arruda, 50 anos, que há 30 se dedica a cuidar do filho Marcos, diagnosticado há 16 com autismo severo.


Os dois moram de aluguel numa casa de três cômodos, no Jardim Ametista, em Campo Grande. O valor mensal é de R$300. Marquinhos não fala, precisa de alimentação especial, usa fraldas e toma muitos remédios, inclusive vários deles não são fornecidos pela rede SUS.


Deir trabalhava num restaurante, onde começou como office boy e chegou ao cargo de gerente. Neste período Marquinhos já morava com ele, mas tinha também o cuidado da avó materna, que morreu há 10 anos. De lá para cá, Deir teve de deixar emprego e se dedicar ao filho porque não conta com ajuda de mais ninguém, nem da mãe que atualmente mora na Capital e cuida de uma filha do casal.


A alimentação de Marquinhos é diferenciada. Ele toma o complemento Sustagem - menos do sabor chocolate – suco integral, mas apenas no sabor uva, leite de soja, usa fraldas geriátricas da marca Big Fral tamanho M (a marca é porque é a única que não dá vazamento no paciente Marquinhos). Deir conseguiu judicialmente fornecimento de fraldas: 6 meses o Estado e 6 meses o município, mas quando chegou a vez da prefeitura da Capital fornecer, as fraldas nunca foram repassadas e o processo parou. O pai tem que comprar.


Os dois vivem ‘no mundo deles’, isolados. Deir conta que são raras as visitas e também os passeios com o filho, até para poder preservá-lo. ‘As pessoas olham torto pra ele. Quando saímos pra dar uma volta é em horário de pouco movimento. Meu filho tem este direito, mas o preconceito é tão grande que já fomos abordados se éramos gays. Como se fosse um crime isso. É que o autista se agarra na gente, em objetos específicos como uma simples tampinha’, revela.


Como deixou o emprego para cuidar do filho, os dois sobrevivem apenas do benefício LOAS que Marquinhos recebe do INSS e um Vale Renda. Recentemente, Deir conseguiu uma vaga para uma vez por semana Marquinhos  ter atendimento numa instituição de autistas. Embora o filho ainda não consiga falar, o pai já comemora o fato de balbuciar e emitir sons. ‘Pra quem está aí fora não é nada, mas pra um pai que nunca tinha ouvido som do filho é muita coisa em 30 anos’, diz emocionado.


Arroz carreteiro


Com tantos compromissos com remédios, aluguel, fraldas, alimentação especial pro filho e acreditando que Marquinhos possa evoluir um pouco mais e chegar a falar tendo acompanhamento no Hospital das Clínicas em São Paulo, Deir decidiu com a ajuda de amigos fazer um arroz carreteiro beneficente no dia 13 de dezembro.

O local para o evento Deir já conseguiu: vai ser na Associação de Moradores do Bairro Santo Eugênio, que fica na Rua Agronômica. Alguns ingredientes ainda faltam. O convite custa R$ 10 e tem que levar pratos e talheres.  ‘Com este dinheiro do evento, se Deus quiser, vou conseguir dar mais dignidade pro meu filho’, acredita Deir que também está com problemas de saúde devido a lida diária com Marquinhos: noites sem dormir, higienização, estresse, pressão alta, baixa visão e solidão.
































FONTE: Gabinete Eduardo Romero

Clique nas imagens abaixo para ampliar:
O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos o direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas. A qualquer tempo, poderemos cancelar o sistema de comentários sem necessidade de nenhum aviso prévio aos usuários e/ou a terceiros.
Comentários
Veja também
Facebook
© Copyright 2026 :: Todos os direitos reservados
Site desenvolvido pela Lenium