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Esportes

22/12/2015 às 11h01

Redação

Campo Grande / MS

O sonho da F1: conheça o garoto mineiro que integra equipe júnior da Red Bull
Sérgio Sette, de 17 anos, foi selecionado como novo membro de programa que revelou o tetracampeão Sebastian Vettel
O sonho da F1: conheça o garoto mineiro que integra equipe júnior da Red Bull

O Brasil já brilhou muito na Fórmula 1. Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna foram responsáveis por trazer oito títulos do Campeonato Mundial de Pilotos. A última vez, no entanto, foi no longíquo ano de 1991, quando Senna, correndo pela McLaren, sagrou-se vencedor da modalidade pela terceira vez em sua carreira. 


A falta de um grande ídolo brasileiro nos dias de hoje, entretanto, não diminui o sonho de garotos que desejam chegar ao principal torneio do automobilismo mundial, como é o caso de Sérgio Sette Câmara, mineiro de 17 anos que passa a integrar a equipe júnior de pilotos da Red Bull, mesmo programa que revelou Sebastian Vettel, tetracampeão da categoria.


Sérgio, natural de Belo Horizonte, embarcou numa grande aventura em busca de seu sonho no último ano. Após conquistar diversos títulos no kart, incluindo o Mundial da categoria júnior/KF3 em 2012, o jovem piloto chegou à Fórmula 3 em 2014. Para ter melhores condições de treinar, estudar e competir em alto nível, mudou-se (sem a família) para Barcelona, onde vive em um centro de atletas, como contou em entrevista exclusiva ao iG.


A rotina agitada, no entanto, deixa Sérgio sem tempo, até mesmo, de sentir saudades do Brasil. "No centro de esportistas eu estudo, como, durmo, lavo minha roupa e treino. Eu vivo lá, quase não saio, o que é muito bom, pois consigo ficar focado em treinar e estudar. Você acaba precisando de uma rotina e, graças a isso, você não sente tanta falta de casa, porque você precisa estudar, precisa treinar. Sempre tem coisa pra fazer, então não tenho muito tempo para ficar deprimido. Além disso, gosto do que faço. Estou aqui porque quero, então, não tem problema", contou. 


Mesmo assim, o garoto, que é acompanhado apenas por seu manager na Espanha, arruma tempo para ver a família sempre que possível. "No final do ano eu volto para o Brasil, vejo minha família e é isso. Algumas vezes por ano eles vêm e acompanham minhas corridas, então acaba ficando tranquilo", disse o piloto. 


A grande inspiração de Sérgio não poderia ser outra: Ayrton Senna é o maior ídolo do mineiro. Entre os pilotos atuais, porém, Vettel é quem tem maior admiração do novo integrante do programa da Red Bull: "Ele sempre foi meu ídolo. Admiro muito a postura dele dentro e fora de pista". E, agora, é justamente os passos do alemão que Sérgio pode seguir. Entre os anos de 1998 e 2007, o piloto fez parte do programa, saindo diretamente para a Fórmula 1. De 2010 a 2013, conquistou todos os títulos da categoria. 


Apesar disso, Sérgio é cauteloso e diz não ficar preocupado em trilhar o caminho do piloto alemão: "Eu não fico pensando muito nisso. Se ficar, você acaba perdendo tempo e não foca nas coisas certas. Se for para chegar lá, eu chego. Por enquanto, a única coisa que eu penso é no ano que vem, em andar bem. Não vou ficar pensando em Fórmula 1, em quem vou ser ou parecer. Não me importo". 


Confira abaixo outros pontos abordados na entrevista:


iG: Como começou a sua paixão pela velocidade? Quantos anos você tinha quando descobriu o desejo de se tornar um piloto?
Sérgio: Isso já veio comigo desde sempre. Natal, Dia das Crianças e aniversário o presente era sempre um carrinho de controle remoto, tudo envolvendo carros. Quando tinha seis anos de idade, sempre assistia à Fórmula 1, todo domingo com meu pai, e um dia perguntei para ele como os pilotos faziam para chegar lá, então ele me explicou que tinha o kart e fomos ver uma corrida. Eu alucinei e foi a partir daí que começou. Passei a andar de kart, no mesmo kartódromo de Serra Verde, que, atualmente, não existe mais. Comecei a treinar lá e, pouco a pouco, comecei a levar mais a sério e chegou onde estou hoje, mas tudo começou assim, bem simples. No começo, meu pai, minha mãe e meu tio me ajudaram muito a desenvolver os primeiros passos, como correr em São Paulo de kart. Hoje em dia, tem um grupo de pessoas que ajudam, me amparam e fazem tudo por mim. Isso é o mais importante.


Como é sua rotina de treinamentos e qual a frequência de corridas?
Treinar na pista, com o meu carro, acontece muito pouco. É um esporte limitado para treinos. Não é igual ao futebol, em que o cara pode treinar cinco horas por dia. Na Fórmula 1, ou até mesmo na Fórmula 3, são feitas regras que limitam o número de treinos. Senão, quem tem muito dinheiro ou um patrocínio muito forte, poderia treinar o dobro ou o triplo dos demais, então isso é bem limitado. A gente tenta compensar no simulador e andando de kart, quando possível. Sobre as corridas, este ano foram 11 etapas e ano que vem serão 10. Houve uma pequena mudança no campeonato. Parece pouco, mas na verdade são 30 corridas, pois, em cada final de semana de competição, são disputadas três corridas. Há também seis treinos coletivos e alguns dias de treinos privados, mas, se comparar com qualquer outro esporte, eu treino muito pouco.


Consegue conciliar os estudos com as corridas e viagens? 
Sim, inclusive este foi um dos motivos de ter mudado para a Europa. Nunca abandonei a escola, nem por um curto período de tempo, mas precisei mudar porque tinha corrida quase toda semana no kart. Não adiantava nada ficar voltando para o Brasil, passar três dias e pegar um voo internacional. Eu acabava muito cansado e também não conseguia acompanhar a escola. Hoje em dia estudo aqui na Espanha, já aprendi a falar espanhol e vou pra escola. Consigo acompanhar o ritmo dos meus companheiros de classe. Claro que, quando tem uma folga, preciso estudar o dobro porque falto muitos dias, mas dá para acompanhar. 


Você já conquistou diversos títulos, inclusive o Mundial de 2012. Qual deles foi o mais especial?
Na verdade, no título mais especial eu não fui campeão. Foi a última vez que lembro de ter andado de kart em alto nível, numa corrida difícil, em que não podia errar nem por um minuto e eu realmente gostei, queria voltar no tempo para participar de novo. Foi em 2014, a Copa Brasil de Kart, que aconteceu em Belo Horizonte. Eu fui vice-campeão no final das contas, mas foi uma corrida bem legal, muito tensa. Foi da primeira volta até a última brigando. Eu gostei muito, então é a que fica na minah cabeça. 


Após passar anos no kart, você chegou à Fórmula 3 em 2014. A adaptação foi muito difícil? Qual a maior diferença?
Não foi um choque muito grande. Acho que, se você faz muitos anos competindo de kart, você já está acostumando com o esporte. Claro que tudo muda. A dimensão do carro, a pista, mas isso aí a gente adapta rapidamente, então não foi tão diferente assim. 


Agora que você está há mais de um ano na categoria, como avalia seu crescimento durante este período?
Em 2014 fiz apenas algumas etapas no Brasil, então não considero como um ano de Fórmula. A gente fez algumas corridas só para não chegar em 2015 completamente cru, pois ia para um campeonato muito forte, então não podia chegar sem nunca ter andado. Então este foi meu primeiro ano de Fórmula 3 de verdade. Durante o ano, acho que crescemos muito. Trabalhei com as pessoas certas. É uma equipe que tenta ajudar muito o piloto, eles me ensinaram muito. Agora, com a experiência que adquiri esse ano e já conhecendo algumas das pistas em que serão disputadas as corridas do ano que vem, eu me sinto confiante para chegar andando bem

E depois da Fórmula 3? Qual é o próximo passo que você quer dar para chegar mais perto de se tornar um piloto de Fórmula 1?
Não estou pensando muito nisso. A única coisa que tenho confirmada é andar de Fórmula 3 no ano que vem e é nisso que vou focar. O que vier depois não adianta ficar pensando, imaginando o que vai ou não vai ser. Tenho certeza que vou correr de Fórmula 3 ano que vem e vou fazer de tudo para que essa temporada seja a melhor possível. O que vier a gente vê depois. 


Quais são seus planos para 2016? O que você espera conquistar no ano que vem?
Meu objetivo é ser o mais competitivo possível durante todo o ano, mostrando ritmo e maturidade, e chegar no final do ano com chances de brigar pelo campeonato. 

FONTE: Ig

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