20/05/2022 às 21h05
Redação
Campo Grande / MS
Apesar da guerra na Ucrânia e das rígidas medidas restritivas na China, que causam rupturas nas cadeias de suprimentos e de produção global, a indústria brasileira continuou confiante em maio. Conforme mostram dados do Icei (Índice de Confiança do Empresário Industrial) por setor.
A pesquisa é realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e mostra que todos os setores se mantiveram acima dos 50 pontos, número que separa a confiança da falta de confiança.
Mas as incertezas sobre a regularização das cadeias de suprimentos impactaram de forma mais forte alguns setores. Treze das 29 áreas analisadas registraram queda na confiança, enquanto 14 subiram e duas se mantiveram neutras.
O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explica que o problema de insumos é generalizado, mas a incerteza e as preocupações são maiores em alguns setores. “Esses resultados divergentes resultam da incerteza trazida pela invasão da Ucrânia pela Rússia e pelas paralisações da produção na China. O Icei de maio é uma clara demonstração da incerteza nos diferentes setores e regiões”, explica.
Foram consultadas 2.251 empresas, sendo 893 de pequeno porte, 815 de médio porte e 543 de grande porte, entre 2 e 10 de maio.
O setor com menos confiança é o de produtos de borracha, que registou 50,6 pontos, uma queda de 8,7 pontos. Já produtos de limpeza, perfumaria e higiene pessoal (52,2 pontos) caíram 6,6 pontos. Ambos os setores tiveram as maiores baixas de confiança.
Produtos têxteis (53 pontos); equipamentos de informática, produtos eletrônicos e outros (53,1 pontos); artefatos de couro (55 pontos) também ficaram entre os setores com menor confiança.
Setores mais confiantes
As maiores altas ocorreram nos setores de biocombustíveis (4,5 pontos) e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (3,4 pontos).
Os setores da indústria mais confiantes são: manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (60,3 pontos); biocombustíveis (60,2 pontos); produtos farmoquímicos e farmacêuticos (60,1 pontos); produtos diversos (59,8 pontos) e extração de minerais não metálicos (59,5 pontos).
As regiões do Brasil também tiveram resultados divergentes. O Centro-Oeste teve, em maio, a maior confiança industrial entre todas (58,9 pontos), seguida pela Norte (58,5 pontos), Nordeste (57,1 pontos), Sul (56,1 pontos) e Sudeste (55,5 pontos).
Já em comparação com abril, a região Norte despencou (60,1 pontos). O Sudeste registrou patamar semelhante (55,8 pontos). O Nordeste continuou com a mesma pontuação atual. Enquanto o Sul (55,5 pontos) e o Centro-Oeste (57,6 pontos) registram aumento.
Em relação ao mesmo período de 2022, Norte (59,8 pontos), Sudeste (56,9 pontos) e Sul (59,8 pontos) tiveram queda de confiança. O patamar se manteve estável no Centro-Oeste (58,9 pontos). Somente a região Nordeste teve alta na confiaça industrial (56,2 pontos).
As empresas de médio porte registraram em maio de 2022 um nível de confiança de 57,3 pontos, patamar maior que o do mês passado (57,1 pontos), mas menor que há um ano, quando era de 57,9 pontos.
Pequenas empresas se mantiveram em abril e maio com 56,4 pontos — acima da confiança apurada um ano atrás (56,1 pontos).
Em grandes empresas, a confiança também continuou no mesmo patamar do mês anterior (56,6 pontos). Em maio de 2021, o índice de confiança desse porte era de 58,6 pontos.
FONTE: Portal R7
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