08/08/2023 às 08h14 - atualizada em 08/08/2023 às 08h28
Redação
Campo Grande / MS
Os membros do Copom concordaram de maneira unânime na expectativa por mais cortes de 0,50 pontos percentuais na Selic, a taxa básica de juros, para as próximas reuniões.
A informação consta na ata da reunião da semana passada, divulgada nesta terça-feira (8).
Naquela ocasião, o Copom aprovou redução da Selic em 0,50 p.p., para 13,25% ao ano. Esse foi o primeiro corte desde 2020.
Segundo a ata, o ritmo de cortes moderados se deve à estratégia de manter um processo de desinflação enquanto as perspectivas para a economia melhoram modestamente.
“Tal ritmo conjuga, de um lado, o firme compromisso com a reancoragem de expectativas e a dinâmica desinflacionária e, de outro, o ajuste no nível de aperto monetário em termos reais diante da dinâmica mais benigna da inflação antecipada nas projeções do cenário de referência”, diz a ata.
Para uma intensificação dos cortes, que o Copom acredita ser pouco provável, seria necessário uma “reancoragem bem mais sólida das expectativas, uma abertura contundente do hiato do produto ou uma dinâmica substancialmente mais benigna do que a esperada da inflação de serviços”.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, foi voto decisivo a favor do corte de 0,50 ponto percentual na semana passada.
O Copom aprovou a medida por 5 votos a 4.
Os outros quatro membros do Copom que votaram por esse corte foram Carolina de Assis Barros, Otávio Ribeiro Damaso e os dois indicados de Lula, Gabriel Galípolo e Ailton de Aquino Santos.
O voto vencido, por uma redução de apenas 0,25 ponto percentual, contou com o apoio de Diogo Abry Guillen, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, Maurício Costa de Moura e Renato Dias de Brito Gomes.
“O conjunto dos indicadores mais recentes de atividade econômica segue consistente com um cenário de desaceleração da economia nos próximos trimestres”, afirma o comunicado do Copom para justificar o corte.
Entretanto, o conselho ressalva que a inflação permanece acima da meta.
“Não obstante o arrefecimento dos índices de inflação cheia ao consumidor, antecipa-se uma elevação da inflação acumulada em doze meses ao longo do segundo semestre. As medidas mais recentes de inflação subjacente apresentaram queda, mas ainda se situam acima da meta para a inflação”, disse o comunicado.
O corte veio após meses de contenda entre o BC e o governo federal. O patamar de 13,75% ao ano, o mesmo desde agosto de 2022, inflamou a relação.
O entendimento é que a baixa é essencial para atrair investimentos, gerar empregos e estimular o consumo.
FONTE: O Antagonista