10/08/2023 às 09h47
Redação
Campo Grande / MS
Seis dias depois de acusar o líder da Frente Nacional de Lutas Campo e Cidade (FNL), José Rainha Júnior, o “Zé Rainha”, de ser “criminoso cínico”, o deputado federal alagoano Alfredo Gaspar foi surpreendido, na tarde desta quarta-feira (9), com a decisão de seu partido, o União Brasil, de retirá-lo da condição de membro titular da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (CPI do MST). Segundo o parlamentar, a decisão foi tomada sob pressão do governo de Lula (PT) sobre seu partido.
Com a decisão, Alfredo Gaspar foi silenciado na comissão, perdendo o direito de repetir acusações duras como a que fez durante sessão da CPI do MST, na última quinta-feira (3), quando acusou Zé Rainha de ter como “para-choque de suas ações criminosas, dezenas de políticos que compactuam com seu crime”, e atribuiu ao governo do PT o maior estímulo ao ex-líder nacional do MST à “permanência no crime”. O deputado deixa de ter direito a perguntar, solicitar convocações e requerimentos, durante os trabalhos da CPI.
Sem maiores explicações do União Brasil, além da alegação de que sua saída da CPI do MST seria “provisória”, Alfredo Gaspar comentou sobre a surpresa desagradável em entrevista à Rádio Grande Rio, de Penedo (AL).
“Fui surpreendido com decisão do meu partido, por pressão do governo, de me retirar de uma comissão parlamentar de inquérito. Porque, comigo, eu não aceito qualquer tipo de pressão. Eu quero a verdade. É minha conduta aqui em Brasília. Não faço oposição por oposição. Faço é fiscalizar e cobrar solução para os problemas”, disse o parlamentar que já combateu o crime organizado ao chefiar a Segurança Pública e o Ministério Público de Alagoas.
Em junho, Alfredo Gaspar foi reconhecido como o alagoano menos governista da Câmara dos Deputados, pelo ranking Radar do Congresso.
A retirada de Alfredo Gaspar está sendo considerada a segunda intervenção política do governo Lula na CPI do MST, nesta quinta, que já teve anulada a convocação do ministro da Casa Civil, Rui Costa, por decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), atendendo pedido do deputado federal Nilto Tatto (PT-SP).
FONTE: Davi Soares
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