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Economia

19/12/2023 às 09h59

Redação

Campo Grande / MS

Ata do Copom sem novidades faz juros futuros subirem
Expectativa do mercado era de alguma sinalização para uma aceleração do ritmo de cortes na Selic, mas Comitê manteve texto, praticamente, intacto sobre a condução da política monetária
Ata do Copom sem novidades faz juros futuros subirem
Foto Arquivo

A esperada ata do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a reunião encerrada na quarta-feira da semana passada, 13, não trouxe novidades e fez com que os investidores mais otimistas recalibrassem as expectativas para o futuro da Selic no ano que vem. Os juros futuros com vencimentos mais curtos iniciaram a sessão em leve alta, após vários dias de queda.


O texto, que dá detalhes sobre como foi a discussão entre os membros do colegiado para a decisão de manter o ritmo de cortes da Selic em 0,50%, não trouxe novidades significativas na comparação com o documento da reunião anterior, o que indica que, para o Banco Central, o cenário permanece dentro do esperado.


As principais mudanças dizem respeito à exclusão de diversos parágrafos que advertiam para riscos internacionais. No entanto, o texto logo adverte que não há relação mecânica entre a trajetória de juros americana e a brasileira.


“A incerteza, em particular no cenário internacional, que tem se mostrado volátil, prescreve cautela na condução da política monetária. O Comitê relembrou que a incorporação de cenários e variáveis exógenas, como a dinâmica fiscal ou o cenário externo, se dá por meio de seus impactos na dinâmica prospectiva de inflação, sem relação mecânica com a determinação da taxa de juros“.


O texto também reafirma o ritmo nos cortes. “Em se confirmando o cenário esperado, os membros do Comitê, unanimemente, anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário“, diz outro trecho do documento.


Mais uma vez, o documento alertou para a importância da credibilidade fiscal e para os efeitos nocivos de uma política fiscal em desarmonia com a monetária no combate à inflação. “O esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, explica o texto.


Por fim, o Banco Central também evitou apontar qual seria a taxa terminal (ou em que patamar os cortes seriam suficientes) para a Selic. “Enfatizou-se novamente que a extensão do ciclo ao longo do tempo dependerá da evolução da dinâmica inflacionária, em especial dos componentes mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica, das expectativas de inflação, em particular as de maior prazo, de suas projeções de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos. O Comitê mantém seu firme compromisso com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante e reforça que a extensão do ciclo refletirá o mandato legal do Banco Central“.

FONTE: Rodrigo Oliveira

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