22/12/2023 às 09h54
Redação
Campo Grande / MS
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), se indispôs com deputados da oposição na noite desta quinta-feira, 21, no plenário, durante a votação da regulamentação do mercado de carbono. O projeto foi aprovado.
Os opositores do governo Lula tentavam obstruir a votação sem sucesso, enquanto Lira avançava com a pauta colocada do nada em votação. Sargento Gonçalves (PL=RN) reclamou, dizendo que, apesar de ser deputado iniciante, notava que, naquele procedimento, “alguma coisa que está errado não está certo".
Lira respondeu que Gonçalves estava certo, mas apenas sobre o fato de ser iniciante.
“O senhor vai ter tempo de aprender”, retrucou o presidente da Câmara.
Pela advertência de mau gosto, Lira foi bombardeado pelos deputados oposicionistas em plenário.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que também participava dos esforços de obstrução, tomou as dores do colega.
O deputado do Novo disse que, apesar de estar no primeiro mandato, Gonçalves “respeita melhor o regimento interno do que quem deveria conduzir a sessão fazendo com que ele fosse cumprido”.
Na sequência, Lira disse que Van Hattem deveria se ater ao tema em questão, já que estava inscrito para falar contra o projeto de regulamentação do mercado de carbono.
O oposicionista seguiu com suas reclamações e seu microfone foi cortado.
“As brincadeiras no plenário vão acabar, deputado”, disse Lira, sem explicar exatamente o que isso significa, e acrescentou, em tom de ameaça: “Vossa Excelência vai aprender a respeitar o regimento, deputado Marcel van Hattem”.
Antes que a deputada Júlia Zanatta (PL-SC), a oradora seguinte, começasse a falar, ainda é possível ouvir Van Hattem reclamar, gritando, fora do microfone: “Covardia de um tirano nesta Casa”.
Além da regulamentação do mercado de carbono, os deputado também aprovaram na madrugada desta sexta-feira, 22, a regulamentação das apostas e dos cassinos on-line.
O projeto foi aprovado contra a vontade da bancada evangélica, que se opôs principalmente à autorização para o funcionamento dos cassinos. Os cassinos haviam sido retirados do texto pelos senadores antes de a questão voltar para a Câmara. Agora, falta apenas a sanção presidencial.
Essa é uma das esperanças do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para ampliar a arrecadação do governo — o petista trabalha com o número mágico de 15 bilhões de reais por ano — e manter de pé a prometida e cada vez menos provável meta de déficit zero em 2024.
Agora Hadad e equipe devem combinar com os frequentadores de cassinos para que não deixem os joguinhos de lado.
FONTE: O Antagonista
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