29/01/2024 às 12h23 - atualizada em 29/01/2024 às 12h29
Redação
Campo Grande / MS
As notícias de ligações telefônicas do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para constranger acionistas da Vale em prol da indicação do ex-ministro Guido Mantega, são a demonstração inequívoca da dificuldade do governo Lula de entender os limites éticos dos domínios público e privado.
Apesar de toda a retórica, o governo não é um acionista relevante na mineradora. A Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), que tem cerca de 8% de participação no capital da empresa, não é do governo, é dos funcionários do Banco do Brasil, pensionistas, aposentados e familiares.
O Executivo tem uma presença acionária que mal chega a 2%, por meio da Caixa Econômica Federal (1,14%) e do Banco do Brasil (0,74%). Por que, então, Lula se acharia no direito de impor à companhia um diretor-presidente indicado por ele?
Caso as ligações sejam reais, com que autoridade o ministro de Minas e Energia estaria achacando acionistas da empresa para impor a vontade do petista? Note que não são os representantes da Previ (entre eles o notável presidente do fundo de pensão, o sindicalista especialista em literatura asteca João Fukunaga) no telefone a convencer outros acionistas relevantes a aceitarem o mentor das pedaladas fiscais na cadeira mais importante da Vale.
O método, em um país minimamente sério, seria motivo para investigação, se assemelha em demasia a tráfico de influência. Ou não seria esse o nome a se dar para uma ligação de um funcionário público do alto escalão “pedindo” que se atue em favor de um entendimento dele?
Esse mesmo funcionário público tem a função de fiscalizar e regular o setor da empresa do acionista do outro lado da linha. Pior ainda, o acionista em questão pode ter negócios em outros setores atendidos pela pasta e, certamente, terá interesses que passam por escaninhos da Esplanada dos Ministérios.
Antigamente, grupos criminosos garantiam a contratação de segurança para os comércios em regiões onde atuavam com a visita despretensiosa de um de seus representantes. A oferta era de um serviço para evitar um eventual “azar”. “A vizinhança anda muito violenta”, argumentavam.
Sorte nossa que esses tempos se foram.
FONTE: Rodrigo Oliveira
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