25/02/2024 às 19h20
Redação
Campo Grande / MS
Cerca de 800 mil pessoas se reuniram hoje pacificamente na Avenida Paulista para o ato público em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Foi a maior manifestação política dos últimos anos e o primeiro protesto popular organizado contra a ditadura PT-STF.
Compareceram ao ato convocado por Bolsonaro cerca de 100 parlamentares, quatro governadores de Estado — Tarcísio de Freitas, Jorginho Mello, Romeu Zema e Ronaldo Caiado — e, principalmente, uma multidão que nenhuma outra liderança brasileira conseguiria reunir.
Desde as primeiras horas da manhã, a Paulista começou a ser ocupada pelos manifestantes. Como em todos os protestos convocados pela direita desde as jornadas de 2013, não foram registrados episódios de violência ou depredação.
O pastor Silas Malafaia, organizador geral da manifestação, fez a fala mais contundente da manifestação. “Jair Messias Bolsonaro é o maior perseguido político de nossa história”, disse Malafaia. “Se eles te prenderem, Bolsonaro, você vai sair de lá exaltado.” Após fazer um histórico das depredações e invasões promovidas pela esquerda nas últimas décadas, Malafaia saiu em defesa dos presos de 8 de janeiro e prestou homenagem a Cleriston da Cunha, o primeiro mártir da ditadura brasileira. “O sangue de Clezão está nas mãos de Alexandre de Moraes e ele vai dar contas a Deus por isso.”
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que a fé tem sido a sua principal defesa contra as perseguições sofridas no atual regime: “O assassinato de reputação tem sido diário, mas algo muito maior e muito mais forte nos move para que a gente continue lutando pela nossa nação. Sim, por algum tempo nós fomos negligentes ao dizer que não se poderia misturar política com religião, e o mal triunfou. Mas agora chegou o momento da libertação. Eu creio num Deus vivo e poderoso que é capaz de restaurar a nossa nação. Mulheres, homens, jovens crianças, idosos, não desistam do nosso país. Continuem orando, continuem clamando porque eu sei que o Deus dos altos céus nos virá em socorro. Não estamos aqui em um propósito de poder, mas em um propósito de libertação”.
Em sua fala, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ressaltou que a manifestação de hoje é uma mensagem direta enviada ao atual regime: “Nós estamos dando um recado de que homens e mulheres com o coração verde e amarelo não desistirão do nosso país. Não é um recado somente aos poderosos, mas também para nós mesmos, brasileiros e brasileiras, que estavam desanimados e desesperançosos. Para esses brasileiros, eu quero trazer aqui duas pessoas: Moisés e Caleb. Moisés não chegou a entrar na Terra Prometida, mas um jovem chamado Caleb entrou. Mas se não fosse a força de Moisés, Caleb não teria entrado. Talvez nós não vejamos o Brasil prometido, mas os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos verão Brasil novamente, verde e amarelo”.
A deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) destacou o caráter pacífico e ordeiro da manifestação: “Hoje testemunhamos uma Paulista tomada de verde e amarelo pelo povo patriota, que veio prestigiar esse chamado do presidente Bolsonaro. A avenida estava absolutamente lotada, de um lado e de outro. Foi uma manifestação ordeira, pacífica, tranquila, com muitas famílias e idosos. Foi emocionante vivenciar essa comunhão de todos em prol do nosso Brasil. Mais uma vez, São Paulo dá um espetáculo de amor ao Brasil”.
O jornalista e ex-deputado federal Paulo Eduardo Martins (PL-PR) relatou que o clima na Paulista era muito semelhante ao de outras manifestações históricas da direita. “Desde cedo, a Paulista foi sendo absolutamente tomada, como há tempos não se via. Muita gente, muitas famílias, um clima de orgulho e de esperança. São pessoas que querem manifestar o seu desejo por um país onde a ordem volte a ter algum valor. Estava um calor escaldante na Avenida Paulista, mas as pessoas estavam felizes. Foi uma grande tarde em São Paulo. Resta saber como a nossa gloriosa imprensa vai repercutir esse ato, se é que vai repercutir. Mas a realidade é que vimos aqui uma manifestação gigantesca, pacífica, linda e sobretudo de amor à liberdade e ao Brasil”.
No encerramento de seu discurso, Silas Malafaia citou o salmo citou o Salmo 117 — Comigo está o Senhor, nada temo; que mal me poderia ainda fazer um homem? — e depois pediu à multidão para cantar os versos do Hino da Independência:
Brava gente brasileira
Longe vá, temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.
Foi impossível não pensar em Clezão nesse momento.
Anistia aos presos do 8 de janeiro
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante discurso no ato político realizado na Avenida Paulista neste domingo (25), pediu a anistia dos presos do 8 de janeiro e a "pacificação" do país. A manifestação reuniu os principais políticos da direita do país e teve a participação de, segundo dados preliminares, cerca de meio milhão de pessoas.
"Eu teria muito a falar, tem gente que sabe o que eu falaria, mas o que eu busco é a pacificação. Passar uma borracha no passado. É buscar uma maneira de nós vivermos em paz e não continuarmos sobressaltados. E, por parte do Parlamento brasileiro, uma anistia para aqueles pobres coitados que estão presos em Brasília. Nós não queremos mais que seus filhos sejam órfãos de pais vivos. Quero a conciliação. Nós já anistiamos no passado quem fez barbaridades no Brasil, e agora nós pedimos aos 513 deputados e 81 senadores um projeto de anistia para que seja feita a justiça no nosso país. E quem depredou o patrimônio, que nós não concordamos, que pague. Mas essas penas fogem da razoabilidade. Nós não podemos entender o que levou poucas pessoas a apenarem tão drasticamente esses pobres coitados que estavam lá no 8 de janeiro de 2023", pediu Bolsonaro, num tom equilibrado e pacífico.
Antes, Bolsonaro iniciou sua fala relembrando sua trajetória política e seus feitos à frente da presidência da República. Falou da perseguição e do ataque sofrido, inclusive a facada durante a campanha de 2018, e agradeceu o apoio popular.
"Queremos uma imagem para o Brasil e para o mundo do que é a garra e a determinação do povo brasileiro. Essa fotografia está sendo inédita para todo o mundo, ela é uma amostra das cores da nossa bandeira, de como nós nos emocionamos quando cantamos o hino nacional ou quando vemos hastear nossa linda bandeira verde, amarela, azul e branca. Com isso, mostramos com essa fotografia que nós podemos até ver um time de futebol sem torcida ser campeão, mas não conseguimos entender como existe um presidente sem povo ao seu lado. Voces nos trazem a esperanca, energia, garra e a certeza de que temos como vencer".
O ex-presidente Jair Bolsonaro durante ato na paulista falando com a multidão de apoiadores
Ele também lamentou a situação do Brasil e reafirmou que não quer que o país seja dominado pelo comunismo e o socialismo. Ao comentar a atuação do Judiciário, falou que os abusos são cometidos por uma minoria. "O abuso de alguns traz insegurança para todos nós", disse. "Essa fotografia vai rodar o mundo. Tenho certeza disso e, após esse pronunciamento, a gente pede a Deus que ilumine a todos e até aqueles poucos ou raros que nós não gostamos, para que voltem a pensar com o coração e a razão. Que nós possamos fazer com o que nosso Brasil prossiga com a sua marcha".
O ex-presidente não citou o Supremo Tribunal Federal (STF) nem o nome do ministro Alexandre de Moraes e nem mesmo do presidente Lula (PT) nem uma vez sequer.
Bolsonaro aproveitou também para se defender das acusações de golpe de Estado.
"O que é golpe? É tanque na rua, arma, conspiração, trazer classes políticas e empresariais pro seu lado. Nada disso foi feito no Brasil. Por que continuam me acusando de golpe? Agora, golpe é porque tem uma minuta de um decreto de Estado de Defesa. Golpe usando a Constituição? Tenham a santa paciência. Deixo claro que o estado de sítio começa com o presidente da República convocando os conselhos da República e da Defesa. Isso foi feito? Não. Apesar de não ser golpe, o estado de sítio não foi convocado. O segundo passo é mandar uma proposta pro Parlamento, que analisa e decide se o presidente pode ou não editar um decreto de estado de sítio. O estado de defesa é semelhante. Agora querem dizer a todos nós que um golpe usando um dispositivo da Constituição, cuja palavra final quem dá o Parlamento, estava em gestação", explicou.
Ao final do discurso, Bolsonaro lembrou que este ano haverá as eleições municipais e pediu para que seus apoiadores "caprichem" nos votos e se preparem para 2026. "O futuro a Deus pertence. Nós sabemos o que deve ser feito no futuro para que o Brasil tenha um presidente que tenha Deus no coração, que honre sua bandeura, que se emocione com o hino nacional, que respeite a família brasileira e ame de verdade seu povo. (...) Nós não podemos concordar que um Poder tire do palco político quem quer que seja, a não ser que por um motivo extremamente justo. Nós não podemos pensar em ganhar as eleiçoes afastando os opositores do cenário político", encerrou.
FONTE: Paulo Briguet
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