21/03/2024 às 08h31
Redação
Campo Grande / MS
Não tem como dourar a pílula: Lula acusou Bolsonaro, falsamente, de furto. Isso tem nome: calúnia. É comportamento tipificado no artigo 138 do Código Penal: “Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime. Pena: detenção de seis meses a dois anos, e multa.”
Foi a tal “guerra dos móveis”. No começo de 2023, o presidente disse que Bolsonaro deu sumiço em dezenas de móveis do Palácio do Alvorada. Chegou a afirmar que seu antecessor e a mulher haviam “levado tudo”. A declaração completa é a seguinte: “Não sei se eram coisas particulares do casal, mas levaram tudo. Então a gente está fazendo uma reparação, porque aquilo é um patrimônio público.” Enquanto a primeira frase levanta uma hipótese, a segunda não deixa espaço para dúvidas: o patrimônio público foi lesado e precisa de reparação.
Acontece que os móveis estavam o tempo todo no Alvorada. Exatamente como haviam dito Jair e Michelle Bolsonaro. Quando o assunto veio à tona, a contabilidade era de 261 móveis sumidos. O número depois caiu para 83. Mas desde setembro do ano passado a Presidência sabia que os objetos estavam todos guardados. Ficou de bico calado. Coube ao jornalismo – neste caso, da Folha de S. Paulo – descobrir a verdade.
Tia Marocas
Repito: Lula caluniou Bolsonaro. Isso é mais evidente ainda quando se leva em conta que não se dignou a retirar a acusação, mesmo sabendo que ela não era verdadeira desde o segundo semestre do ano passado. Presidentes podem ser processados por crime comum no STF. Bolsonaro, como cidadão comum caluniado pelo Presidente da República, teria todo o direito ver a questão avaliada pelo Judiciário.
Lula age como a tia Marocas. Fala o que lhe dá na telha, sem se preocupar com as consequências. Acontece que ele é o presidente da República, não é a tia Marocas. Suas palavras têm peso. Ele deveria se preocupar com a dignidade do cargo que ocupa.
Politicamente, esta gafe deve custar caro ao petista. Ele acusou Bolsonaro injustamente – e o bolsonarismo dirá que essa é apenas uma instância de uma prática generalizada de perseguição ao ex-presidente.
Acho que o episódio também deveria custar um processo a Lula. Quem sabe assim ele aprende a se comportar com a dignidade que a Presidência exige dele.
Cabe agora ao ex-presicente agor judicialmente - mesmo ciente de que a fala de lula não vai dar em nada. O famoso dito pelo não dito.
FONTE: Carlos Graeb
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