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26/03/2024 às 11h46

Redação

Campo Grande / MS

Ministério da Saúde deixa faltar remédios para hanseníase
Pacientes ficam sem tratamento, diz jornal
Ministério da Saúde deixa faltar remédios para hanseníase
Foto Arquivo

Após demonstrar total incompetência para lidar com a pandemia de dengue, o Ministério da Saúde tem deixado a desejar no combate de outra grave doença: a hanseníase. Estão faltando remédios em todo o país, fazendo com que pacientes não consigam iniciar ou precisem interromper o tratamento.


A informação foi divulgada pela Folha de SP, que teve acesso a um documento que mostra que os medicamentos usados no tratamento de primeira linha da doença —poliquimioterapia e clofazimina— estão em falta porque a doação, geralmente feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), não foi realizada.


O que o Ministério da Saúde diz, em nota, é que o atraso ocorreu por "problemas de produção e de logística de transporte marítimo na região do Oriente Médio". A pasta promete que eles serão entregues ainda em março, mas admite que, desde a última remessa recebida, as quantidades da clofazimina já não estavam sendo suficientes. Sendo assim, torna-se essencial a elaboração de planos alternativos para o acesso aos remédios, já que a demanda do país tem aumentado.


O que o ministério comandado por Nísia Trindade tem feito para tapar o buraco, no entanto, é oferecer aos pacientes o uso de medicamentos de segunda linha, que são conhecidos como ROM (Rifampicina + Ofloxacino + Minociclina), em uma dose mensal. O problema disso é que médicos especialistas afirmam que esse tratamento não é eficaz para todos os tipos da doença. Sem falar que até esses remédios também estão em falta em algumas regiões do país.


Em resposta à escassez, a pasta sugere no documento e em nota enviada à reportagem o uso de medicamento de segunda linha, conhecido como ROM (Rifampicina + Ofloxacino + Minociclina), em dose única mensal. Segundo a pasta, há respaldo científico para isso.


Mas especialistas apontam que os medicamentos de segunda linha oferecidos para suprir momentaneamente a situação não são eficazes para todos os tipos da doença. Além disso, que esses produtos também estão em falta em algumas regiões.


A nota enviada pela pasta alega que está tomando providências para evitar novos desabastecimentos, entre elas a promoção de  audiências públicas para verificar a possibilidade de produção nacional do medicamento de primeira linha. Vale salientar, no entanto, que essa solução é de médio a longo prazo.


Os dados oficiais do painel de hanseníase do Ministério da Saúde mostram que houve aumento de 4,8% de novos casos da doença. Foram 19.129 de janeiro a novembro de 2023, contra 18.247 no mesmo período do ano anterior.


O Brasil é o segundo país com maior número de casos de hanseníase, doença que antigamente era conhecida como lepra e marcada por muito preconceito. Em números absolutos, perde apenas para a Índia.

FONTE: Brasil Sem Medo

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