05/06/2024 às 09h01
Redação
Campo Grande / MS
A Justiça Federal do Rio Grande do Sul deu prazo de 24 horas para União e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) se explicarem em uma ação que pede a suspensão do leilão de arroz importado, marcado para esta quinta-feira (6).
O juiz Bruno Risch, da 4ª Vara Federal de Porto Alegre, quer ouvir as razões para compra do arroz importado, já que produtores gaúchos alegam que não há risco de desabastecimento, apesar da recente tragédia ter prejudicado lavouras.
A decisão foi no âmbito de uma ação popular que, além de pedir a suspensão do processo licitatório, também quer a anulação das portarias e medidas provisórias que permitem a compra de arroz importado livre de taxação.
A ação foi movida pelos deputados gaúchos Marcel van Hattem (Novo), Lucas Redecker (PSDB) e Felipe Zortea Camozzato (Novo). Eles alegam que o produto nacional correria riscos com prejuízo estimado de R$ 2 milhões.
“Essa intervenção ilegal e injustificável da União Federal tem causado um aumento significativo do preço do arroz não só a nível Brasil, como também a nível de países integrantes do bloco econômico do Mercosul”, alegam os parlamentares.
Os deputados federais do partido Novo — Adriana Ventura (Novo-SP), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Gilson Marques (Novo-SC) — ingressaram na segunda-feira, 3, com uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) requerendo a anulação do Aviso de Compra Pública nº 047-2024, conduzido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), além de uma liminar de medida cautelar para suspender o andamento do processo licitatório até que o órgão realize o julgamento do mérito em questão. Em outra frente, o deputado federal, Marcel Marcel van Hattem (Novo-RS), o deputado estadual, Felipe Camozzato (Novo-RS) e o deputado federal, Lucas Redecker (PSDB-RS), ingressaram com uma Ação Popular na Justiça Federal da 4ª Região em Porto Alegre demonstrando a falta de necessidade para a formação de estoques públicos regulatórios de arroz.
Na representação do TCU, os parlamentares do Novo afirmam que o motivo alegado pelo governo federal para defender a importação do arroz, relacionando ao enfrentamento da calamidade pública e às consequências sociais e econômicas derivadas de eventos climáticos no estado do Rio Grande do Sul, é infundado e inverídico.
No decorrer da ação, o Novo demonstra que o próprio governo do RS emitiu uma nota afirmando o contrário e comprovando que o risco de desabastecimento é efusivamente negado pelo governo do Rio Grande do Sul, que justifica sua posição, divulgada em sítio oficial, com base em dados levantados pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).
“A safra 2023/2024 de arroz do Rio Grande do Sul deve ficar em torno de 7.149.691 toneladas, mesmo com as perdas pelas inundações que o Estado sofreu em maio. O número é bem próximo ao registrado na safra anterior, de 7.239.000 toneladas– o que comprova que o arroz gaúcho é suficiente para abastecer o mercado brasileiro, sendo desnecessária a importação do grão“, afirmou o governo do RS em nota divulgada.
Mesmo com o governo do RS negando o desabastecimento, o governo federal deu sequência ao processo de importação do grão. Então, o partido Novo demonstra ao TCU que a importação de arroz pela Conab impactará diretamente na arrecadação do governo do Rio Grande do Sul. “O governo local, que já sofre com todas as consequências desastrosas da enchente, terá também que lidar com a intervenção indevida e desnecessária do governo federal, conforme descrito em nota técnica elaborada pela Federação de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul“, justificaram os parlamentares do Novo na representação.
O partido destaca que se não há risco de desabastecimento nacional, se está comprovada que a arrecadação do governo local será prejudicada e se os produtores locais serão seriamente afetados, não justifica a Conab realizar processo licitatório para a importação de 300 mil toneladas de arroz, ao custo de bilhões de reais aos cofres públicos federais.
FONTE: Rodrigo Vilela
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