15/07/2024 às 12h49
Redação
Campo Grande / MS
Em 1938, Lev Trotsky, um dos líderes do golpe revolucionário russo de 1917, àquela altura exilado no México, escreveu um ensaio intitulado “A Moral Deles e a Nossa”, em resposta às críticas de Dwight McDonald à falta de escrúpulos dos comunistas bolcheviques. A leitura desse texto foi um dos motivos que me levaram a deixar a esquerda. Basicamente, Trotsky aborda a questão da moralidade no contexto da luta revolucionária e advoga a tese de que a moral não é uma entidade fixa ou universal, mas sim algo determinado pelas condições sociais e pelos interesses de classe. Sendo assim, mesmo os atos que o bom senso e a tradição apontam como imorais — o assassinato, a traição, a mentira, a tortura — podem ser justificáveis caso contribuam para o sucesso final da revolução. Para Trotsky, o que é moralmente aceitável deve ser julgado pela sua eficácia em avançar a causa do socialismo e emancipar a classe trabalhadora. Trotsky defende essa moral relativa — a moral dos infernos — para justificar suas ações criminosas dos comunistas na Rússia, das quais ele participou convictamente até ser alijado do poder por seu arquirrival Stálin. Justamente por compartilhar dessa visão de mundo, Stálin julgou ser moralmente aceitável aniquilar o seu inimigo com um golpe de picareta no crânio, dois anos após a publicação de “A Moral Deles e a Nossa”.
Lembrei-me do texto de Trotsky quando vi as reações da mídia e da militância esquerdista à tentativa de assassinato do ex-presidente Donald Trump, no último sábado. Na última década, desde que Trump anunciou sua intenção de concorrer à Casa Branca, a esquerda e a mídia o atacaram de todas as maneiras que podem ser concebidas. As palavras de ódio contra Trump jamais saíram da boca da militância esquerdista em todo o planeta, como se os Dois Minutos de Ódio imaginados por Orwell se prolongassem por anos a fio. Seu assassinato foi defendido publicamente por inúmeras vezes. E agora, quando um contribuinte do Partido Democrata atira contra a cabeça de Trump, os mesmíssimos perpetradores do ódio dizem que o “incidente” foi obra de um lobo solitário. Lobo solitário? E quanto ao coro das hienas que não cessou um segundo de gargalhar sombriamente durante os últimos anos?
A tentativa de assassinato de Donald Trump expõe o verdadeiro caráter moralmente doentio da esquerda e da mídia. Em minhas aulas e crônicas, sempre tenho insistido que a morte do adversário político ocupa uma posição central na mentalidade esquerdista. Não há processo revolucionário sem a criação de um grupo social a ser eliminado fisicamente. Para que isso aconteça, é preciso retirar o caráter humano do inimigo político e transformá-lo em uma não-pessoa. Logicamente, isso foi feito com Trump e com Bolsonaro, mas — é importante dizer — não se limita a eles. Todos nós, conservadores e cristãos, somos considerados não-pessoas pela esquerda que está no poder. E, portanto, merecemos ser eliminados. Primeiro, pela censura. Depois, pela prisão. Por fim, pelo assassinato.
FONTE: Paulo Briguet
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