21/12/2024 às 19h54 - atualizada em 21/12/2024 às 20h03
Redação
Campo Grande / MS
É ensurdecedor o silêncio dos petistas após a troca pública de amabilidades entre os “amigos” Gabriel Galípolo (foto) e Roberto Campos Neto, na manhã de quinta-feira, 19. Não é um bode, mas o dólar que foi colocado no meio da sala do PT.
A transição no Banco Central foi exposta de uma forma tão harmoniosa que, junto com a maior intervenção da instituição no dólar desde 1999, ajudou o real a recuperar um pouco do valor perdido desde que Fernando Haddad anunciou seu frustrante pacote fiscal, em 27 de novembro.
Indicado por lula, Galípolo disse o que todos os agentes do mercado estavam esperando ouvir: que o BC seguirá comprometido com a missão de levar a inflação de volta para a meta e que não existe um ataque especulativo contra o real, contrariando a narrativa petista sustentada para eximir Lula de culpa.
Foi Galípolo
E o futuro presidente do BC foi além, dizendo que a decisão de subir a taxa básica de juros em um ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e de contratar mais duas elevações do mesmo valor para os próximos meses teve sua participação como protagonista.
Lula reclamou dessa decisão na famigerada entrevista ao Fantástico, após deixar o hospital, atribuindo-a, como de costume, a Campos Neto:
“A única coisa errada nesse país é a taxa de juros estar acima de 12%, essa é a coisa errada. Não há nenhuma explicação”.
O mesmo Lula celebrou o “jovem chamado Galípolo”, que reivindicou a decisão de levar os juros a 12%, no vídeo divulgado para dizer que “o Brasil é guiado por instituições fortes e independentes, que trabalham em harmonia para avançar com responsabilidade”.
No vídeo, Lula parece ler todo o receituário de responsabilidade fiscal em um teleprompter, para não escorregar.
Autonomia
O petista gosta tanto de seu indicado ao BC que prometeu até “que jamais, jamais haverá da parte da presidência qualquer interferência no trabalho que você tem que fazer do Banco Central“.
É o tipo de promessa que não precisa e, portanto, não deve ser feita, porque o Banco Central é autônomo por força de lei, e isso não depende da vontade ou generosidade do presidente.
Mas Lula teve de fazer o aceno porque passou os últimos dois anos reclamando de forma ingrata das decisões de Campos Neto, que ajudaram seu governo gastador a não estourar demais a meta de inflação, jogando uma sombra de dúvida sobre seu indicado para suceder o “cidadão”.
FONTE: Rodolfo Borges
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