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Economia

26/12/2024 às 11h14

Redação

Campo Grande / MS

Governo Lula insiste em tese furada de 'ataque especulativo'
Órgão que defende juridicamente a Presidência recupera devaneios dos petistas, uma semana depois de Lula gravar vídeo com Galípolo
Governo Lula insiste em tese furada de 'ataque especulativo'
Foto Reprodução

Quando o dólar subiu para mais de 6 reais na semana passada, o governo Lula e veículos de imprensa chapa-branca rapidamente saíram para condenar o que seria um "ataque especulativo" contra o real.


Segundo petistas, forças do mercado estariam atuando para fazer a moeda americana subir e prejudicar o governo.


O ataque especulativo estaria sendo feito com a publicação de mensagens falsas e memes na internet.


O Banco Central (Bacen) ainda seria um dos culpados pelo problema, por manter os juros altos demais, sem necessidade.


"Qual é a lógica de (o Banco Central) fixar as maiores taxas de juros do planeta, na contramão das maiores economias do mundo?", perguntou a presidente do PT Gleisi Hoffmann, na quarta, 18.


Explicação parecia ter acalmado petistas


Pessoas com algum conhecimento de economia explicaram pacientemente que o dólar estava subindo porque o governo não tinha convencido brasileiros e estrangeiros ao propagandear o seu programa de corte de gastos.


Gabriel Galípolo, futuro presidente do Banco Central, indicado por Lula, foi didático: "Não é correto tratar o mercado como algo monolítico. Tem compra e venda, vencedores e perdedores. Ataque especulativo como algo coordenado não representa bem (o que está acontecendo)".


Em um gesto coreografado, o presidente Lula gravou um vídeo ao lado de Galípolo (foto), dizendo que o governo iriai respeitar a autonomia do Banco Central.


Naquele momento, o governo entendeu que precisava enviar uma sinalização para a sociedade pois estava preocupado com a escalada do dólar.


Compromisso com a fantasia


Mas durou pouco a sensação de que os petistas tinham aprendido algo sobre o funcionamento da economia.


Na quarta, 25, a Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou que encaminhou um ofício ao Banco Central solicitando informações sobre a cotação do dólar.


"Os dados enviados pelo Bacen subsidiarão eventual atuação da Procuradoria-Geral da União, órgão da AGU, em relação ao buscador Google, que apresentava a cotação do dólar a R$ 6,38, valor R$ 0,20 superior ao registrado no último fechamento oficial (23/12)", diz a nota.


A cotação do dólar do Google, contudo, não interfere no valor da moeda.


Mesma história


A AGU defende juridicamente a Presidência da República.


Quando a AGU se manifesta, a instituição muitas vezes está terceirizando as queixas de Lula e cumprindo ordens, assim como faz a presidente do PT Gleisi Hoffmann.


A nota da AGU deixa claro que o governo continua acreditando na tese furada do ataque especulativo.


“A atuação da Advocacia-Geral da União tem como objetivo combater a desinformação de dados econômicos de grande relevância para a sociedade brasileira”, diz o advogado-geral da União, Jorge Messias, citado na nota da AGU.


"De fato, causa estranheza que, em pleno feriado de 25/12, data sem Ptax (taxa de dólar do BC), ocorra uma disparidade de informações relacionadas à cotação da referida moeda", diz a nota.


Suspeitas contra o BC


Entre os pedidos feitos ao Banco Central, a AGU quer saber se a cotação do dólar em outros países no dia 25, que poderia ser usada como referência pelo Google, "é suficientemente relevante para impactar a cotação da moeda nacional neste dia 25/12/2024".


A afirmação é ridícula, uma vez que não houve cotação da moeda nacional no feriado do Natal.


Não aprendem


A atuação da AGU, portanto, volta a insinuar que há interesses escusos na divulgação de desinformação na internet.


Os funcionários públicos da AGU poderiam se dar ao trabalho de pesquisar no Google para entender como a plataforma define o valor do dólar americana durante os feriados.


Mas, não.


O objetivo mais uma vez é colocar o Banco Central contra a parede e esquivar-se de qualquer responsabilidade na alta do dólar

FONTE: Duda Teixeira

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