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26/01/2025 às 09h12

Redação

Campo Grande / MS

Cid aponta Michelle e Eduardo Bolsonaro como incentivadores de golpe
Em depoimento à PF, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro mencionou os dois como parte da ala mais radical de trama golpista
Cid aponta Michelle e Eduardo Bolsonaro como incentivadores de golpe
Foto Reprodução

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o ex-presidente teria considerado duas estratégias para reverter o resultado das eleições de 2022: encontrar provas de fraudes nas urnas ou convencer as Forças Armadas a aderirem a um golpe de Estado. Entre os integrantes da ala mais radical, que supostamente instigavam Bolsonaro, Cid destacou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).


O depoimento, dado em agosto de 2023, foi obtido na íntegra pelo colunista do blogueiro esquerdista Elio Gaspari, da Folha.


Segundo Mauro Cid,  Michelle e Eduardo mantinham conversas frequentes com Bolsonaro, reforçando que ele teria apoio popular e de CACs (Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores) para um eventual golpe. 


Apesar das acusações, o relatório final da Polícia Federal, concluído em novembro de 2024, não incluiu Michelle nem Eduardo entre os 40 indiciados.


Michelle não é mencionada no relatório, enquanto Eduardo é citado apenas como contato no celular de um investigado. Ambos negaram as acusações. 


A defesa de Michelle classificou as alegações como “absurdas” e sem base na realidade, enquanto Eduardo chamou o depoimento de Cid de “fantasia”.


Três grupos


No depoimento, Cid afirmou que o entorno de Bolsonaro era dividido em três grupos: os que defendiam que ele reconhecesse a derrota e liderasse a oposição, os que desaprovavam os rumos do país, mas rejeitavam medidas de ruptura, e os que defendiam um golpe de Estado.


Este último, segundo Cid, se dividia entre uma ala que buscava provas de fraudes nas urnas e outra mais radical, que pressionava pela assinatura de decretos de exceção.


Entre os citados como parte do grupo radical estavam, além de Michelle e Eduardo, figuras como Onyx Lorenzoni, Filipe Martins, Gilson Machado e os senadores Jorge Seif (PL-SC) e Magno Malta (PL-ES). Apenas dois nomes desse núcleo foram indiciados: Filipe Martins e o general Mario Fernandes.


O relatório final da PF está agora sob análise da Procuradoria-Geral da República, que provavelmente decidirá apresentar denúncia contra os indiciados ao Supremo Tribunal Federal ou arquiva o caso.

FONTE: O Antagonista

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