27/01/2025 às 08h30 - atualizada em 27/01/2025 às 08h42
Redação
Campo Grande / MS
A decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de referendar o bloqueio de 6 bilhões de reais do programa Pé-de-Meia, uma das principais bandeiras do governo Lula 3, deu um novo gás a vários pedidos de impeachment que ficaram empacados na mesa do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Agora, os tempos são outros, poderia me dizer o mais atento leitor ou leitora. De fato. Mas, como bem observou o próprio deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) – um dos autores do superpedido de impeachment de Lula que será apresentado no retorno do recesso parlamentar –, qualquer movimento para defenestrar um chefe de Poder Executivo – quer seja no Brasil ou na Coreia do Sul – só se faz com povo na rua. E essa não é a realidade de hoje.
Após dez anos no poder (8 anos dos dois primeiros mandatos e mais 2 anos agora), Lula nunca teve que lidar com um cenário tão desfavorável. Pela primeira vez o número de eleitores que desaprova a gestão Lula é maior do que aqueles que a aprovam; a crise do Pix derrubou qualquer esperança de o petista conseguir seduzir os microempreendedores e os trabalhadores informais – estamos falando de um universo aproximado de 40 milhões de pessoas – e, por fim, nem mesmo uma ampla reforma ministerial terá o condão de reorganizar a base parlamentar petista em curtíssimo prazo no Congresso Nacional.
Mesmo assim, é preciso gente na rua para dar corpo a um pedido de impeachment. E para que isso aconteça, a oposição depende de uma tempestade perfeita nos próximos meses – daquelas semelhantes às do governo Dilma Rousseff e Fernando Collor de Mello.
E qual seria essa tempestade perfeita? A resposta é simples: crise econômica. A conjuntura, diga-se, não é das mais alvissareiras para o governo Lula. Juros em alta, poder de compra em queda, e inflação próxima do descontrole. Isso que ainda dá alguma esperança para a oposição.
Quando Dilma Rouseff foi destituída do cargo, sua aprovação estava na casa dos 10%; o governo petista estava no alvo da Polícia Federal e nem mesmo o PT fez lá algum esforço para salvá-la.
Lula é totalmente diferente de Dilma. Na forma e no conteúdo. Queiramos ou não, o que pode salvar presidente Lula de uma eventual denúncia por crime de responsabilidade é que, mesmo diante de um governo capenga e inexpressivo, o petista ainda conta com uma base fiel de aproximadamente 30% do eleitorado brasileiro - e mesmo assim o presidente não sai nas ruas para comprovar esse apoio - e isso não é pouca coisa.
Mas o Brasil é o país do plot twist e tudo pode acontecer.
FONTE: Wilson Lima
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