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29/01/2025 às 17h55

Redação

Campo Grande / MS

A relação de Hugo Motta e Eduardo Cunha
Mensagens vazadas sugerem que líder do Republicanos, favorito na disputa pelo comando da Câmara, atuava para beneficiar Cunha, seu antigo aliado e colega de partido
A relação de Hugo Motta e Eduardo Cunha
Foto Agência Brasil

Mensagens vazadas da Polícia Federal sobre os desdobramentos da Operação Lava Jato que resultaram na prisão e condenação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha apontam para suposto esquema de colaboração entre ele e o deputado Hugo Motta (Republicanos-SP), favorito na disputa para presidir a Casa Baixa do Congresso Nacional. Um relatório da PF destaca uma série de acertos envolvendo projetos de lei, emendas legisativas e repasses financeiros, todos em benefício do parlamentar cassado.


As mensagens, reveladas pela Folha de São Paulo, sugerem que Hugo Motta atuava no Congresso para beneficiar Cunha, seu antigo aliado e colega de partido. Ambos eram filiados ao PMDB, hoje MDB.


Em 2015, durante a Operação Catilinárias, que foi um braço da Lava Jato, Cunha foi alvo de busca e apreensão. O relatório da Polícia Federal inclui diversas conversas que agora ganham repercussão.


Denúncia contra Temer


Uma dessas mensagens chegou a incorporar denúncia de 2017 contra o então presidente Michel Temer, Eduardo Cunha e outros membros do partido.


“Vou pôr uma emenda para você assinar que é do veto da 561”, disse Cunha a Hugo Motta, referindo-se a uma medida provisória. O diálogo ocorreu em agosto de 2012, durante o primeiro mandato de Motta na Câmara, quando Cunha já se destacava como uma das principais lideranças do PMDB.


A Medida Provisória (MP) citada abordava questões como financiamentos do BNDES e o parcelamento de dívidas de estados e municípios. Motta foi o relator da MP, que foi aprovada pelo Congresso Nacional, mas recebeu dois vetos da então presidente Dilma Rousseff.


“Posso mandar para o Hugo Motta assinar???”


Na acusação, o então procurador-geral Rodrigo Janot mencionou o modus operandi do grupo político de Eduardo Cunha na Câmara. O relatório também faz referência a outro episódio em que foi identificado o envolvimento de Hugo Motta nas manobras políticas de Cunha. Em um dos momentos, uma assessora do ex-presidente da Câmara questiona: “Posso mandar para o Hugo Motta assinar???”.


Repasses financeiros


O relatório da Operação Catilinárias também menciona uma troca de mensagens entre Hugo Motta e Eduardo Cunha, em que repasses financeiros são discutidos. A conversa foi destacada pelos investigadores como parte das articulações em andamento.


“Uma mensagem do contato ‘Hugo mota’ afirma a Eduardo Cunha que havia conseguido 100 para o PMDB e que no mês subsequente conseguiria igual montante. Acredita-se que ‘Hugo mota’ esteja expressando os valores em milhares”, afirma o documento.


Cumpridor de compromissos


Hugo Motta ganhou destaque na Câmara quando Cunha assumiu a liderança do PMDB, em 2013. A relação entre os dois sempre foi amplamente conhecida, e, no seu livro de memórias “Tchau, Querida”, o ex-deputado descreve Hugo Motta como “um bom quadro, cumpridor de compromissos”.


Deputado oculto


Como mostrou reportagem da revista Crusoé, Cunha segue como figura influente na Câmara. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma proposta de sua autoria foi ‘ressuscitada’ para assegurar o direito à vida desde a concepção. Cunha foi acusado pela base governista de ser o principal articulador da proposta.

FONTE: O Antagonista

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