31/01/2025 às 10h35
Redação
Campo Grande / MS
As pessoas mais atentas e com algum grau de sensibilidade costumam enxergar mais, ouvir mais e antecipar o futuro. E não. Não há nada de místico aqui ou mesmo especulativo. É tudo real e de simples compreensão. Quanto mais focado e mais capaz de perceber nuances, mais um indivíduo compreenderá os fatos ao seu redor.
A ignorância – no sentido do desconhecimento – é inimiga da razão, improdutiva e contraproducente (que são coisas parecidas, mas diferentes). Ela, a ignorância, limita os relacionamentos, obscurece as ideias e costumeiramente, além de não trazer benefícios, causa malefícios. Mas basta de “momento filosófico” e vamos ao que interessa.
Nesta quinta-feira, 30, o eterno palanqueiro e novamente presidente da República (necessariamente nessa ordem), Luiz Inácio lula da Silva concedeu uma entrevista coletiva e atirou para todos os lados, em um claro sinal da “nova comunicação” do Planalto, já sob comando de Sidônio Palmeira, marqueteiro do próprio Lula em 2022.
Como de costume, Lula falou muita bobagem, confundiu alhos com bugalhos, elogiou a si mesmo e a seu governo e, sim, “oficializou” a candidatura à Presidência em 2026, anunciando, inclusive, o início da campanha, ainda que de forma velada, utilizando-se de “meias-palavras” – por isso iniciei o texto falando em atenção e sensibilidade.
“A democracia será a grande derrotada se a gente permitir que a mentira seja vitoriosa, ganhando da verdade. Este ano vou me dedicar muito, estou 100% pronto para começar a viajar pelo Brasil, para começar a percorrer os estados, para estabelecer uma conversa verdadeira, para que a hora da verdade possa dizer para o país como é que nós estamos”
Para quem não entendeu, Lula está dizendo que não irá governar, mas sim fazer campanha, o que, diante da situação atual do Brasil, talvez seja mesmo uma boa ideia, afinal, como reza o ditado, “muito ajuda quem pouco atrapalha”. O chefão petista também comentou as declarações de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD:
“Quando eu vi a história do companheiro Kassab, eu comecei a rir, porque ele disse que se a eleição fosse hoje eu perderia, e fui ver no calendário e a eleição é só daqui a dois anos, eu fiquei muito despreocupado, porque hoje não tem eleição”. Bem, é a primeira parte da “oficialização” da candidatura. E nem é preciso recorrer às entrelinhas para compreender.
Em seguida, a afirmação categórica, o martelo batido: “Se os republicanos vão me apoiar, ou não, em 2026, deixem chegar em 2026. O meu problema agora é fazer com que 2025 seja o melhor ano da colheita política desse país para o meu governo”. Eis aí! Lula é “oficialmente” candidato ao quarto mandato presidencial.
Não estivéssemos em uma situação tao delicada, economicamente e politicamente falando, com tantas questões importantes em curso, necessitando de um presidente atuante e responsável, seria admissível, ainda que inapropriado, se antecipar o calendário eleitoral. Mas com o “mundo caindo” sobre nossas cabeças… Na boa, o país não merece isso. É muita cara de pau.
FONTE: Ricardo Kertzman
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