31/01/2025 às 13h47
Redação
Campo Grande / MS
A grandiloquência que Lula confere a si mesmo, considerando-se o único, o primeiro, o maior e o melhor em tudo, inclusive no quesito honestidade – “a alma mais honesta desse país” -, o que comprova, no mínimo, seu total descolamento da realidade, vez por outra ganha contornos ainda mais irônicos.
O pai do Ronaldinho dos Negócios já se comparou a Jesus, a Deus e também já disse não ser uma pessoa, mas uma ideia. O “nunca antes na história desse país” tornou-se um bordão tão patético quanto o próprio autor. Mas Lula é superlativo, sim: em mentiras, mistificações e envolvimento com corrupção.
Porém, às vezes, até mesmo para seus padrões messiânicos, o chefão petista exagera. Na quinta-feira, 30, em entrevista coletiva, além de desfilar uma série de bobagens e anunciar sua candidatura – a sexta!! – ao Planalto, o presidente da República, em eterna campanha, declarou, sem nem mesmo enrubescer face:
“Eu acho que o Kassab foi injusto com o companheiro Haddad no ministério da Fazenda. É importante a gente lembrar, eu posso não gostar pessoalmente de uma pessoa, mas não reconhecer que o companheiro Haddad começou o governo coordenando a PEC da transição, porque a gente não tinha dinheiro para governar o país em 2023”.
Para quem não sabe, a tal PEC da Transição é uma das principais causas do descontrole fiscal atual. Já sobre arcabouço fiscal e Fernando Taxxad, Lula comentou: “O companheiro Haddad coordenou com o Congresso uma indicação de uma seriedade administrativa estupenda”. Bem, se o leitor amigo entendeu, favor me explicar. E continuou:
“Depois, o companheiro Haddad coordenou uma coisa que o Brasil vai agradecer e o mundo também vai agradecer, que foi a aprovação da Reforma Tributária. Jamais houve uma reforma tributária, sabe, feita em um regime democrático, jamais! Uma política tributária aprovada, sabe, com um congresso funcionando, independente”.
Vamos por partes: o arcabouço fiscal não apenas foi como é uma peça de ficção, tanto que precisou de uma – tão ineficaz quanto – medida de corte de gastos, desastrosamente construída e anunciada no final do ano passado, que depreciou o real de forma significativa em poucos dias. Ou seja, de injusto, até agora, Kassab não tem nada.
Já sobre reforma tributária, dizer o quê? Que o Brasil terá o maior IVA do mundo? Que a carga tributária em relação ao PIB está próxima de 35%? Que a promessa de não aumento de impostos não se concretizou? Alguém poderia me explicar por que diabos, então, eu tenho de agradecer o ministro Fernando Haddad?
Se o Brasil não tem motivos para gratidão e Gilberto Kassab os tem de sobra para suas críticas ao ministro da Fazenda, por que, então, o mundo deveria ser grato a Haddad? Só na cabeça de Lula e seus áulicos, o ministro e o governo são eficientes e prestam inestimáveis serviços ao país que, ingrato, não retribui sob a forma de reconhecimento e elogios.
Caia na real presidente.
FONTE: Ricardo Kertzman
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