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Economia

25/03/2025 às 11h12

Redação

Campo Grande / MS

Ata do Copom aponta “esmorecimento no esforço de disciplina fiscal”
"O aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia", alerta comitê do Banco Central comandado por Galípolo
Ata do Copom aponta “esmorecimento no esforço de disciplina fiscal”
Foto Arquivo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central publicou nesta terça-feira, 25, a ata de sua última reunião, na qual elevou a taxa básica de juros em um ponto percentual pela terceira vez seguida, para 14,25% ao ano.


E há uma mensagem clara para o governo Lula


“O Comitê manteve a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê evidenciou, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”, diz a ata do Copom, cuja reunião foi comandada pela terceira vez por Gabriel Galípolo (à esquerda na foto), indicado por Lula para presidir o BC..


Segundo o comitê, “no período recente, a percepção dos agentes econômicos sobre o regime fiscal e a sustentabilidade da dívida seguiu impactando, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes”.


“Esmorecimento no esforço”


O texto segue:


“O Comitê reforçou a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade.”


Por falar em “aumento de crédito direcionado“, o governo Lula promove o que a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, apelidou de “empréstimo do Lula”, uma estratégia eleitoreira para baratear o crédito para trabalhadores com carteira assinada.


“O ciclo não está encerrado”


O Copom explicou na ata não apenas por que decidiu elevar a taxa Selic em mais um ponto percentual, mas por que optou por sinalizar que deve elevar a taxa básica de juros em menor intensidade na próxima reunião:


“O Comitê, em sua comunicação, optou por conjugar três sinalizações sobre a condução de política monetária, caso se confirme o cenário esperado. Primeiramente, julgou que, em função do cenário adverso para a dinâmica da inflação, era apropriado indicar que o ciclo não está encerrado. Em segundo lugar, em função das defasagens inerentes ao ciclo monetário em curso, o Comitê também julgou apropriado comunicar que o próximo movimento seria de menor magnitude. Além disso, diante da elevada incerteza, optou-se por indicar apenas a direção do próximo movimento.”


Ambiente externo


O Copom destacou ainda que “o ambiente externo permanece desafiador em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente pela incerteza acerca de sua política comercial e de seus efeitos”.


“Esse contexto tem gerado ainda mais dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed e acerca do ritmo de crescimento nos demais países”, diz a ata, que segue:


“Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. O Comitê avalia que o cenário externo segue exigindo cautela por parte de países emergentes.”


A culpa ainda é de Campos Neto?


Galípolo foi indicado por Lula para a presidência do Banco Central como se fosse um antídoto para Roberto Campos Neto, eleito pelos petistas como vilão nos dois primeiros anos do governo. Mas, por enquanto, a condução do BC segue na mesma toada do presidente indicado por Jair Bolsonaro.


Ainda assim, os petistas mantêm o discurso. Segundo eles, Galípolo não pode dar um “cavalo de pau” na política monetária de uma hora para a outra e, portanto, a culpa pela alta na taxa básica de juros ainda seria de Campos Neto — ao contrário do que diz a ata do Copom.

FONTE: O Antagonista

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