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Brasil

14/04/2025 às 10h58

Redação

Campo Grande / MS

O fim do Exército Brasileiro da forma que o conhecemos
A transformação bruta, mas imperceptível, com mais militares temporários e menos militares profissionais
O fim do Exército Brasileiro da forma que o conhecemos
Foto Sociedade Militar

Poucos na sociedade civil estão percebendo. Mas as Forças Armadas brasileiras tem sofrido uma transformação que impacta sua base profissional. Enquanto aqueles que se consideram como militares profissionais, os que ingressam ainda na adolescência ou como jovens adultos em escolas de oficiais e graduados, têm sido diminuídos em número, os militares temporários, aqueles que já ingressam com cursos técnicos e graduação, tem crescido bastante em várias posições das forças, inclusive em postos de oficial superior.


De 2014 até 2024, um intervalo de somente 12 anos, o número de vagas disponibilizadas pelo Exército Brasileiro para a prova da ExPCex, que garante o ingresso como oficial na Academia Militar das Agulhas Negras, diminui de 520 para 440, o que equivale a cerca de 16%. A AMAN é o único centro de formação que forma os oficiais chamados de combatentes, aqueles que podem chegar até General de Exército, o último posto na força terrestre.


Em um intervalo também de 12 anos, entre 2013 e 2025, saltou de 7.537 para 15.725 o número de militares graduados temporários na força terrestre, foi um crescimento de mais de 108%. Nesse mesmo intervalo de tempo a quantidade de militares temporários nos postos de oficiais, que só podem permanecer na força por um período máximo de 8 anos, também cresceu de forma abrupta, na faixa de 30%, passando de 8.085 oficiais para 10.528.


Nas mais diversas profissões, de cursos técnicos a mestrados, os militares temporários chegam com seu conhecimento “extra Forças Armadas” e passam por cursos de adaptação para a vida militar, sendo então incorporados às fileiras das Forças Armadas.


Promoção até subtenentes e generais só para quem é de carreira


O acesso aos postos e graduações mais altos de cada círculo – generais e subtenentes –  continua restrito aos chamados militares de carreira, ou militares profissionais, que são aqueles que ingressaram por concurso público e tem exclusividade para ascender até os postos e graduações mais altos em suas respectivas áreas.


Para entender a visão dos próprios militares coletamos 196 comentários sobre o tema e resumimos os pensamentos majoritários sobre a situação. Apuramos que os próprios militares interpretam as mudanças no Exército como negativas, apontando uma erosão da estrutura, perda de motivação e abandono dos valores tradicionais das Forças Armadas. Os militares temporários são retratados como “descartáveis” e “sem direitos”, enquanto há também forte indignação com supostos privilégios de oficiais e generais.



Análise em comentários sobre o crescimento do número de militares temporários nas Forças Armadas


Essa indignação com privilégios das altas patentes vem crescendo ao longo do tempo, uma postagem há alguns meses feita pela Revista Sociedade Militar revelou a construção de uma mansão no valor de mais de 3 milhões de reais em área restrita do Exército. O imóvel seria ocupado por um General de Exército com 4 estrelas. A postagem foi replicada por diversos sites e jornais e gerou grande repercussão tanto entre militares como entre civis, que interpretaram o privilégio como exagerado.

FONTE: Sociedade Militar

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