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12/05/2025 às 10h03

Redação

Campo Grande / MS

A ELEIÇÃO DOS REFLEXOS
Marcelo Duarte Lins
A ELEIÇÃO DOS REFLEXOS
Foto Divulgação

Assistindo a um documentário sobre lobos, me peguei pensando: será mesmo que somos a espécie mais inteligente do planeta? Porque, veja bem, entre os bichos selvagens, liderança é coisa séria. Não se entrega o rumo da matilha ao mais simpático — nem se espera que o doente indique o caminho da caça. Quem lidera, lidera porque sabe o que faz.


Na floresta, o silêncio obedece ao instinto.


O lobo velho não guia a alcateia porque sorri bem — mas porque sabe o caminho de volta no escuro.


Entre folhas e presas, quem lidera é quem escuta o vento, quem sente o chão tremer antes da tempestade.


Ali, o fraco descansa — não comanda.


Mas no reino das luzes artificiais e dos discursos decorados, os humanos preferem o eco à bússola.


Trocam o sábio pelo simpático, o que vê longe por quem diz o que alivia.


A democracia não falha por si.


Falha quando o povo, em vez de buscar a sabedoria, procura um reflexo que o conforte.


Elege o espelho, não o farol.


Vota em quem lhe devolve o próprio rosto —


mesmo que esteja sujo, cansado ou cego.


Assim, o poder vira palco.


Não há planos — só performances.


O ignorante brilha porque fala fácil,


e o preparado cansa,


porque pensar é verbo que exige pausa —


e a pressa da multidão não perdoa a dúvida.


Nietzsche sussurra, de longe:


“As imagens vencem a razão.”


E nunca os holofotes brilharam tanto para tão pouco.


Vivemos tempos em que a inteligência anda de cabeça baixa,


e a mediocridade desfila como se fosse destino.


A história, esquecida, bate à porta


como um velho professor que ninguém quer ouvir.


Não é “como ele chegou lá” que devemos perguntar,


mas: “por que continuamos empurrando?”


E talvez a resposta seja só essa:


Pensar exige silêncio, exige fôlego —


e há quem prefira gritar slogans


a respirar fundo e enxergar o abismo.


Entre nós, civilizados e cheios de diplomas,


parece que a lógica tirou férias.


Elegemos líderes não por sabedoria, mas por carisma.


Não importa se o sujeito tem visão de futuro;


basta que fale bonito, diga o que queremos ouvir e sorria bem nas selfies.


É o show da representatividade emocional.


Mas, claro: pensar cansa.


E sempre há alguém pronto para obedecer


desde que o idiota tenha carisma.


Aguardemos, pois, a Revolta dos Competentes e dos Probos.


Que ajam como lobos — e saibam liderar o povo indicando o Norte a ser tomado.


* O autor, Marcelo Duarte Lins é ex-comandante da Varig e autor do livro “Caso Varig”. O texto acima foi extraído da página do autor no Facebook

FONTE: Marcelo Duarte Lins

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