18/05/2025 às 14h34
Redação
Campo Grande / MS
A suposta “gafe” de Janja em Pequim, ao reclamar do TikTok diante de Xi Jinping, foi tratada como um deslize protocolar pela velha imprensa brasileira. Mas quem acompanha minimamente a política nacional sabe que essas narrativas, muitas vezes, cumprem outro papel: o de desviar a atenção dos verdadeiros escândalos que comprometem o governo Lula e o aparato estatal que o sustenta.
Não é de hoje que se observa uma movimentação coordenada entre o STF e o Executivo em torno da chamada “regulamentação das redes sociais”. A narrativa oficial tenta justificar a medida como um combate à desinformação, ao discurso de ódio e à violência digital. Mas o projeto em tramitação, especialmente o PL das Fake News (nº 2.630/2020), levanta sérias preocupações sobre censura, controle de discurso e repressão à liberdade de expressão.
É ingenuidade achar que a preocupação seja com o conteúdo raso das dancinhas, fofocas e futilidades que circulam nas redes. O incômodo real é outro: a direita brasileira conseguiu transformar o ambiente digital em um poderoso espaço de contraponto, denúncia e articulação política. E isso incomoda profundamente o “sistema”. O problema não é a alienação; é o despertar.
O governo tenta disfarçar esse incômodo com distrações midiáticas. Enquanto o país deveria estar em ebulição diante do escândalo do Aposentão, a manobra que permitiu desvios milionários de benefícios do INSS, a imprensa dedica tempo à suposta imprudência diplomática de Janja. Mas vamos ser francos: qual é o real prejuízo diplomático de uma crítica informal ao TikTok? E qual é o real ganho político de colocar essa pauta em evidência?
Janja, nesse episódio, parece cumprir o papel de “ânodo de sacrifício”, aquela peça nos navios que se desgasta primeiro para proteger as partes mais importantes da embarcação. Enquanto ela vira meme, crítica e piada, o escândalo da previdência é empurrado para debaixo do tapete. E, mais uma vez, o Brasil segue discutindo o superficial, enquanto o essencial escorre pelos dedos.
É nesse contexto que o debate sobre a regulação das redes deve ser enfrentado com seriedade. Afinal, não se trata apenas de coibir abusos, o que já é previsto no Código Penal e na Lei do Marco Civil da Internet. O risco está no poder de definir o que é “verdade”, quem pode falar e quais temas podem ou não circular. O modelo chinês, no qual plataformas são monitoradas em tempo real e dissidências são silenciadas, é um pesadelo para qualquer democracia. E ainda assim, parece ser a referência implícita de certos setores do poder.
Portanto, não nos deixemos enganar por “narrativas xing ling”. Enquanto o governo tenta “comprar tempo” com distrações e escândalos controlados, o Brasil real sangra: idosos sendo lesados, jovens sem perspectivas, e a liberdade digital sob ataque. A farsa da “gafe diplomática” é só mais um capítulo da tentativa de controlar o debate público.
E como diz o bom e velho ditado da internet: “Estamos de olho. E não vamos calar”.
Magno Malta é Senador da República
FONTE: Senador Magno Malta
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