25/05/2025 às 17h43
Redação
Campo Grande / MS
Posso estar sozinho, como um pregador em praça pública, voz erguida e sobre um tablado improvisado; mas, não me calarei. Continuarei defendendo os patriotas do 8 de janeiro. Porque não há argumento, narrativa ou decreto que me convença de que a Justiça está sendo feita de forma justa.
Agora, pare e reflita comigo: Dilma Rousseff, ex-presidente que sofreu impeachment, ex-guerrilheira e ex-presa durante a ditadura militar, foi anistiada. Já os patriotas, por outro lado, seguem sendo tratados como criminosos. Qual é a lógica?
Não estou aqui para julgar a biografia de Dilma, mas para relembrar os fatos. Nos anos 70, ela foi presa por envolvimento na luta armada contra o regime militar. Há décadas, se menciona sua participação em assaltos a bancos e atentados organizados pelo grupo do qual fez parte. Hoje, setores da esquerda tentam reescrever essa história como se tudo fosse invenção da direita, porém documentos oficiais e registros históricos sustentem essas acusações.
Nada disso impediu que ela fosse abraçada pelo PT, eleita presidente da República, afastada por crime de responsabilidade e, mais recentemente, nomeada presidente do Banco dos BRICS por indicação de Lula. A mesma Dilma que, além de todos esses títulos, carrega o de ex-presa política. Não por pichar uma estátua com batom ou rezar em frente a um quartel, mas por ter integrado uma organização criminosa que pegou em armas contra o Estado.
E agora, no Brasil das contradições, a notícia da semana: Dilma Rousseff foi oficialmente reconhecida como anistiada política pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos. A decisão, que reverte uma negativa emitida durante o governo Bolsonaro, concede a ela uma indenização de R$ 100 mil, sob o argumento de que teve seus direitos violados pelo regime militar: foi presa, torturada, teve os estudos interrompidos e perdeu um cargo público.
Ainda que se reconheça a diferença entre os tipos de “anistia” em discussão, o que está em pauta aqui é a forma desigual com que situações são tratadas no Brasil.
A pergunta que não quer calar entre milhares de brasileiros é simples: e os patriotas? Aqueles que acamparam, marcharam, gritaram, rezaram e, sim, em alguns casos exageraram, mas que jamais pegaram em armas, jamais planejaram atentados, jamais causaram os danos que outros já foram perdoados por cometer, em nome da ideologia.
Quantos patriotas morreram sem resposta? Quantos vivem hoje com tornozeleiras, impedidos de trabalhar, estudar, ver os filhos? Quantos perderam tudo enquanto o Congresso permanece em silêncio diante dos pedidos de anistia? Por que a balança da Justiça parece pender sempre para o mesmo lado?
Não se trata aqui de defender o caos ou a baderna, mas de exigir coerência histórica, jurídica e humana. Se Dilma merece anistia, por que não os patriotas? Ou será que, no Brasil, o perdão é privilégio de quem detém a “narrativa certa”?
Magno Malta é senador da República
FONTE: Magno Malta
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