25/06/2025 às 07h29
Redação
Campo Grande / MS
A polêmica envolvendo a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP, foto), que contratou dois assessores parlamentares que atuam também como seus maquiadores, sintetiza uma prática absolutamente comum e esgarça a hipocrisia tanto de bolsonaristas quanto de petistas quanto o assunto é o malfadado patrimonialismo parlamentar.
Após passar meses apontando o dedo para Campos Neto enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC seguia elevando a taxa básica de juros, Gleisi Hoffmann, ministra de Relações Institucionais, e Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, nem se animam mais a remoer o clássico discurso da herança maldita, e simplesmente fingem que Galípolo não existe ao espernear.
Mas o fato é que não apenas o BC segue o mesmo da época de Campos Neto, como o governo Lula também não mudou em nada sua política fiscal gastadora e irresponsável. E isso pode ser atestado por um trecho da ata do Copom publicada nesta terça-feira, 24, que é idêntico a outro trecho, publicado na ata de dezembro de 2024, quando Campos Neto ainda comandava o BC:
“O Comitê reforçou a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade. O Comitê, em sua análise de atividade, manteve a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê evidenciou, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas.”
Alerta antigo
Esse exato trecho também pode ser lido na ata da reunião de maio, e o alerta foi dado com as mesmas palavras, mas com algumas modificações, nas atas de janeiro e março de 2025 — em todas as ocasiões, a taxa básica de juros foi elevada.
O recado para o governo Lula sobre o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais” é ainda mais antigo e vem sendo dado nesses termos desde a ata de agosto de 2023.
Curiosamente, a ata da reunião anterior, de junho de 2023, registrava que “o Comitê discutiu também os impactos do cenário fiscal sobre a inflação e avalia que a apresentação e a tramitação do arcabouço fiscal reduziram substancialmente a incerteza em torno do risco fiscal”.
A empolgação com o novo arcabouço fiscal não durou muito, como se vê, e a ata de junho de 2023 já antecipava isso, ao dizer que “entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação” destacava-se, entre outras questões, “alguma incerteza residual sobre o desenho final do arcabouço fiscal a ser aprovado pelo Congresso Nacional e, de forma mais relevante para a condução da política monetária, seus impactos sobre as expectativas para as trajetórias da dívida pública e da inflação, e sobre os ativos de risco”.
Não há nada de errado na repetição da mensagem do BC. Pelo contrário: é um dever dos técnicos alertar para os problemas. Errado é o governo Lula simplesmente ignorar os avisos há dois anos e seguir pressionando para cima a inflação e, junto com ela, a taxa básica de juros.
Ao mesmo tempo, os governistas fingem não ter nada a ver com a alta na taxa de juros e, ainda por cima, esperneiam na esperança de que o BC derrube a Selic artificialmente, para aquecer a economia e projetar sentimento de bem-estar, por alguns votos para Lula — sempre ao custo do futuro do país.
A manutenção da rigidez do BC na política monetária é um alento para o Brasil durante um governo totalmente descompromissado com o equilíbrio fiscal. É importante destacar também que o Copom é um colegiado, e que o presidente do BC não toma suas decisões sozinhos, ao contrário do que Lula tentava convencer o país durante os anos de Campos Neto.
O comitê, aliás, tem tomado decisões unânimes desde a gestão passada, o que demonstra unidade e dá mais peso às suas decisões. Diante de um governo irresponsável e boquirroto como o de Lula, isso é essencial para evitar que a economia brasileira saia dos trilhos de vez.
FONTE: Roberto Borges
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