12/07/2025 às 16h58
Redação
Campo Grande / MS
“Canetas emagrecedoras”, como Ozempic e Wegovy, estão cada vez mais populares. Com mais gente usando, novos efeitos colaterais começaram a aparecer. E isso tem preocupado especialistas da área da saúde.
Alguns efeitos colaterais deste tipo de medicamento – também chamado de semaglutida ou GLP-1 – já são bem conhecidos. Por exemplo: náusea, diarreia, problemas digestivos, mudanças de humor e na visão.
O que mais preocupa os profissionais de saúde são os relatos de doenças graves após o uso do medicamento por vários meses. “Os efeitos colaterais mais preocupantes incluem pancreatite e impactos em distúrbios musculoesqueléticos”, disse Penny Ward, médica e professora da King’s College London, no Reino Unido, ao DW.
Ozempic e Wegovy: por que aumento de popularidade traz efeitos colaterais novos
A professora explicou o que a popularidade crescente de medicamentos como Ozempic tem a ver com o surgimento de efeitos colaterais até então desconhecidos. Em suma, pacientes na vida real tendem a enfrentar efeitos mais variados (e em maior número) após ensaios clínicos.
O estudo também destacou os já conhecidos riscos de distúrbios gastrointestinais. Isso reforçou diversas pesquisas anteriores que mostraram maior incidência de efeitos colaterais digestivos.
Por outro lado, pesquisadores têm descoberto efeitos colaterais considerados benéficos em relação ao uso de medicamentos como Ozempic e Wegovy;
Estudos mostram que o uso deles está associado a um risco reduzido de demência e Alzheimer, por exemplo. Pesquisadores também investigam se esses medicamentos podem ser usados para tratar transtornos relacionados ao uso de substâncias.
Já o estudo publicado na Nature em janeiro apontou uma redução nos riscos de distúrbios de coagulação sanguínea, problemas cardiorrenais e metabólicos, além de várias doenças respiratórias em pacientes diabéticos que usam semaglutida.
Apesar das preocupações com novos efeitos adversos desse tipo de medicamento, a neuroendocrinologista Karolina Skibicka, da Universidade de Calgary (Canadá), afirma que “ele tem o potencial de salvar e melhorar muitas vidas”.
“A lista de benefícios desse medicamento, quando usado conforme a prescrição, ainda é significativamente mais longa e impactante do que os riscos”, disse ela ao DW.
Mais pesquisas
Especialistas afirmam que muitos estudos em populações representativas são necessários para entender melhor os efeitos colaterais dos medicamentos GLP-1. E os riscos reais que elas oferecem aos pacientes.
“Por exemplo, precisamos de mais dados sobre pessoas que tomam o medicamento para obesidade, que exigem doses maiores do que as usadas no tratamento do diabetes e o utilizam por mais de dois anos”, disse Karolina.
Além disso, a neuroendocrinologista reforçou a necessidade de incluir pacientes mulheres nas pesquisas. “As mulheres apresentam efeitos colaterais únicos a muitos tratamentos farmacológicos, e ainda assim continuam sub-representadas em várias etapas dos estudos clínicos.”
FONTE: Pedro Spadoni
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