05/08/2025 às 09h47
Redação
Campo Grande / MS
A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada nesta terça-feira, 5, apontou que o tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deixou o cenário “mais adverso e incerto”, conduzindo a autoridade monetária a reforçar a cautela com os juros.
“O ambiente externo está mais adverso e incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente acerca de suas políticas comercial e fiscal e de seus respectivos efeitos. Consequentemente, o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos têm sido afetados, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”, afirmou o comitê liderado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
“Se, de um lado, a aprovação de alguns acordos comerciais, assim como os dados recentes de inflação e atividade da economia norte-americana poderiam sugerir uma situação de redução da incerteza global, de outro, a política fiscal e, em particular para o Brasil, a política comercial norte-americanas tornam o cenário mais incerto e mais adverso. A elevação por parte dos Estados Unidos das tarifas comerciais para o Brasil tem impactos setoriais relevantes e impactos agregados ainda incertos a depender de como se encaminharão os próximos passos da negociação e a percepção de risco inerente ao processo”, acrescentou.
“O Comitê acompanha com atenção os possíveis impactos sobre a economia real e sobre os ativos financeiros. A avaliação predominante no Comitê é de que há maior incerteza no cenário externo e, consequentemente, o Copom deve preservar uma postura de cautela. Como usual, o Comitê focará nos mecanismos de transmissão da conjuntura externa sobre a dinâmica de inflação interna e seu impacto sobre o cenário prospectivo”, continuou.
Para o Copom, tal moderação, “necessária para a abertura de hiato e a convergência da inflação à meta, se coaduna com uma política monetária contracionista”.
Disciplina fiscal
O comitê também voltou a cobrar “políticas fiscal e monetária harmoniosas” para controlar a inflação.
“A política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros. Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta.
O Comitê reforçou a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade. O Comitê manteve a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê evidenciou, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas.”
Para o Copom, o arrefecimento da demanda agregada é “um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”.
Taxa básica de juros
O Copom decidiu na quarta, 30, manter a taxa básica de juros, a Selic, no patamar de 15% ao ano.
A decisão interrompeu o ciclo de alta dos juros, que chegaram ao maior patamar em quase 20 anos.
FONTE: O Antagonista
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