12/02/2026 às 13h04
Redação
Campo Grande / MS
O relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, determinou nesta quinta-feira (12) que a Polícia Federal (PF) envie à Corte todo o material obtido na perícia dos celulares apreendidos no caso, incluindo dados telemáticos, informáticos e telefônicos.
A decisão foi tomada depois que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente da Corte, Edson Fachin, um relatório sobre as análises feitas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Nas mensagens examinadas, de acordo com informações apuradas pela CNN Brasil, há citações ao nome de Toffoli, como menções de pagamentos ao ministro.
Nesta quarta (11), Toffoli já havia reagido às informações tornadas públicas, classificando como “ilações” as conclusões preliminares e sustentando que não compete à Polícia Federal formular pedido de suspeição contra magistrado.
Já nesta quinta, o gabinete do ministro divulgou nova nota explicando sua participação na empresa Maridt Participações, administrada por familiares. Segundo a assessoria, a presença de Toffoli como acionista é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura, que autoriza magistrados a integrar sociedades empresariais e receber dividendos, desde que não exerçam funções de gestão.
A Maridt teve participação no grupo responsável pelo Tayayá Resort, no Paraná, até fevereiro de 2025, quando deixou o empreendimento após duas operações: a venda inicial de cotas ao fundo Arleen, ligado a uma administradora associada ao Banco Master, em 2021; e a alienação do restante à PHB Holding em 2025. O gabinete afirma que todas as transações foram declaradas à Receita Federal.
SOBRE OS REPASSES
Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mencionam supostos pagamentos ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação, que consta em perícia concluída nesta quarta-feira (11), foi divulgada pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil.
De acordo com apuração da CNN Brasil, autoridades públicas aparecem citadas em conversas extraídas dos aparelhos do banqueiro. Em alguns trechos, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que também é investigado, faz referência a transferências de valores que estariam relacionadas ao magistrado.
Investigadores relataram à CNN que o próprio Toffoli também teria feito menções a pagamentos, mas de forma cifrada. A linha de apuração da PF busca esclarecer se eventuais repasses teriam origem em uma empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no resort Tayayá, empreendimento frequentado pelo ministro e que pertenceu a seus irmãos.
O gabinete de Dias Toffoli se manifestou e afirmou que o pedido de suspeição do ministro, formulado no contexto das investigações sobre o banco, se baseia em “ilações” e não possui respaldo jurídico. Segundo a nota, a Polícia Federal não teria legitimidade para requerer a medida por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.
A defesa de Daniel Vorcaro também se pronunciou e demonstrou preocupação com o que classificou como vazamentos seletivos de informações. Em nota, os advogados afirmam que a divulgação de trechos das investigações gera “constrangimentos indevidos”, favorece “a construção de narrativas equivocadas” e prejudica o direito de defesa.
– A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no regular funcionamento da Justiça, destacando que o esclarecimento completo das questões em análise depende de apuração técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais – dizem os advogados de Vorcaro.
FONTE: Paulo Moura
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