Sexta, 12 de junho de 2026
(67) 9-9959-0792
Brasília

20/02/2026 às 20h29

Redação

Campo Grande / MS

Transparência critica ‘autoritarismo estarrecedor’ de Moraes
Ministro do STF intimou líder sindical que denunciou abuso de poder contra auditores da Receita
Transparência critica ‘autoritarismo estarrecedor’ de Moraes
Foto arquivo

A Transparência Internacional criticou, na noite desta quinta-feira (19), o que classificou como gesto de “autoritarismo estarrecedor” do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, na determinação para que a Polícia Federal interrogue o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kleber Cabral.


Para a ONG, a decisão de Moraes evidencia o “declínio democrático brasileiro”, por que seria motivada por críticas do líder sindical ao fato de o ministro ter ordenado a operação contra servidores da Receita suspeitos de vazar dados fiscais envolvendo ministros da cúpula da Justiça do Brasil e seus familiares.


A reação da Transparência Internacional ainda considera que a fala de Kleber Cabral defendeu os auditores fiscais de “evidente abuso de autoridade” do ministro Alexandre de Moraes. E considerou o depoimento do presidente da Unafisco, marcado para esta sexta-feira (20), como um ato de “intimidação” vindo de um juiz constitucional.


“Um presidente de sindicato é alvo de intimidação por parte de um juiz constitucional, por defender servidores (culpados ou não) vítimas de evidente abuso de autoridade. É cada dia mais estarrecedor o autoritarismo que emana do STF e o declínio democrático brasileiro”, afirmou a Transparência Internacional.


Reação ao caso Master


Moraes determinou a operação por iniciativa própria, no âmbito do inquérito das Fake News, também conhecido como inquérito do fim do mundo, por ter sido aberto em 2019 para apurar ataques a ministros do STF e jamais ter sido concluído.


A decisão aconteceu no contexto das informações vazadas sobre negócios ligados ao Banco Master que envolveram nomes de ministros do STF, a exemplo do contrato de R$ 129 milhões da esposa de Moraes e do pagamento de R$ 35 milhões à empresa do ministro Dias Toffoli. Dados que foram expostos no âmbito da investigação de fraudes de R$ 12 bilhões do banco liquidado em novembro do ano passado, alvo da Operação Compliance Zero.


Em plena Terça-Feira de Carnaval (17), o ministro mandou e a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão contra os servidores da Receita Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes.


Também por ordem de Moraes, foram cumpridas medidas cautelares de monitoramento por tornozeleira eletrônica, afastamento do exercício de função pública, cancelamento de passaportes e a proibição de saída do país. Os investigados também foram proibidos de acessar sistemas do Fisco, de entrar nas dependências do Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) e da Receita Federal.


Toffoli conduzia as ordens judiciais do caso Master, mas deixou a relatoria do caso na semana passada, pressionado por acusações suspeição e de interferir na investigação. O novo relator é o ministro André Mendonça.

FONTE: Davi Soares

O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos o direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas. A qualquer tempo, poderemos cancelar o sistema de comentários sem necessidade de nenhum aviso prévio aos usuários e/ou a terceiros.
Comentários
Veja também
Facebook
© Copyright 2026 :: Todos os direitos reservados
Site desenvolvido pela Lenium