04/03/2026 às 08h53
Redação
Campo Grande / MS
Ao solicitar a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, a Polícia Federal revelou a existência de um “núcleo de intimidação e obstrução de justiça”, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades, ligado ao Banco Master.
As investigações apontam que o grupo criminoso mantinha uma estrutura de vigilância e coerção privada, chamada de “A Turma” para obtenção ilegal de informações sigilosas e intimidação de críticos do conglomerado financeiro.
“Ainda em relação a esse núcleo específico, identificou-se a emissão de ordens diretas de DANIEL VORCARO para que fossem praticados atos de intimidação de pessoas (dentre as quais, concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas) que seriam vistas como prejudiciais aos interesses da organização, e com vistas à obstrução da justiça. Quanto a esse último aspecto, foram identificados registros indicando que DANIEL BUENO VORCARO teve acesso prévio a informações relacionadas à realização de diligências investigativas, tendo realizado anotações e comunicações relativas a autoridades e procedimentos associados às investigações em andamento.”
A PF identificou Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que também atende pelo apelido de “Sicário”, como “responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”.
“Os elementos reunidos indicam que LUIZ PHILLIPI exercia papel central na coordenação operacional de um grupo informal denominado ‘A Turma’, estrutura utilizada para realizar atividades de vigilância, coleta de informações e monitoramento de indivíduos considerados adversários do grupo. Nesse contexto, o investigado organizava e executava diligências destinadas à identificação, localização e acompanhamento de pessoas que mantinham relação com investigações ou com críticas às atividades do grupo econômico ligado ao Banco Master”, afirmou o documento.
A PF expôs a “dinâmica violenta” das conversas entre Vorcaro e Mourão, com uma troca de mensagens sobre um jornalista que havia publicado notícias contrárias aos interesses do dono do Master.
“MOURÃO: Esse [nome do jornalista] bate cartão todo domingo? hrs hein Lanço uma nova sua? Positiva.
DV: Sim.
MOURÃO: Cara escroto.
DV: Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele.
MOURÃO: Vou fazer isto.”
Em outra mensagem, Vorcaro teria manifestado a vontade de mandar “dar um pau” no profissional.
“DANIEL VORCARO (DV): “Esse [nome do jornalista] quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.
“MOURÃO pergunta: ‘Pode? Vou olhar isso…’. E, confirmando o animus de agressão, VORCARO responde: ‘Sim’.”
Segue o relatório:
“A partir de todos esses diálogos, verifica-se a presença de fortes indícios de que VORCARO determinou a MOURÃO que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados.
“Ao longo de toda a representação policial há inúmeros episódios no mesmo sentido: VORCARO utilizando MOURÃO, a ‘Turma’ e os ‘Meninos’ dele, para a prática dos mais variados ilícitos, muitos deles de caráter violento.”
Em atualização
FONTE: CNN Brasil
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