04/03/2026 às 12h15
Redação
Campo Grande / MS
O ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, lamentou o posicionamento da Procuradoria-Geral da República a respeito dos pedidos da Polícia Federal, e afirmou que acolhê-lo poderia colocar em risco “a segurança e a própria vida de pessoas que se tornaram vítimas dos ilícitos”, além de dificultar a recuperação de ativos bilionários desviados dos cofres públicos e de particulares.
A declaração de Mendonça foi feita em decisão que determinou a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, nesta quarta-feira (4).
A PGR não se manifestou dentro do prazo de 72 horas que havia sido concedido para analisar o pedido da Polícia Federal na operação Compliance Zero.
Após o prazo expirar, a PGR apresentou petição afirmando que não identificava, naquele momento, “a indicação de perigo iminente” que justificasse uma análise tão rápida e pediu que as providências aguardassem sua manifestação completa, acrescentando que não poderia endossar as medidas cautelares antes de avaliar melhor o material.
Mendonça afirmou, em sua manifestação, que lamenta o entendimento da PGR.
Para o ministro, o órgão não percebeu que as evidências dos crimes e a urgência para a adoção de medidas estão “fartamente reveladas na representação da Polícia Federal”, que há concreta possibilidade de prevenir “condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalistas e até mesmo de autoridades públicas” e que há indicativos de que tenha ocorrido acesso indevido a sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal e até mesmo da Interpol.
Segundo Mendonça, “no caso específico destes autos, a demora se revela extremamente perigosa para a sociedade”.
A decisão do relator atendeu a um pedido da PF diante de suspeitas de crimes de obstrução de Justiça, lavagem de dinheiro, corrupção e crimes contra o sistema financeiro.
Além de Vorcaro, também foram alvos da operação Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, o coordenador operacional Luiz Phillipi Mourão (conhecido como “Sicário”), e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Todos foram presos preventivamente.
FONTE: Guilherme Seto
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