30/04/2026 às 08h57
Redação
Campo Grande / MS
O presidente Lula pode ter diversas qualidades - particularmente, não enxergo nenhuma -, mas coragem jamais lhe foi um traço marcante. Quem disse? Ora, a história e os fatos. Romeu Tuma, delegado e chefe do Dops-SP, falecido em 2010, que prendeu Lula durante a ditadura militar, já espalhava que o então líder sindical – como se diz popularmente hoje em dia – rugia como um leão em público e miava como um gatinho no privado.
Seu filho, Romeu Tuma Jr., o Turminha, é outro que nunca poupou a sociedade brasileira de histórias nada abonadoras sobre o chefão do PT, acusando-o, inclusive, dentre tantas outras desonras, de ser, como líder sindical, uma espécie de agente duplo, que atuava publicamente pelos trabalhadores e, privadamente, pelos empresários. Há, também, outros episódios marcantes dessa, senão covardia, ao menos falta de coragem.
Quando eclodiu o escândalo do mensalão, o então presidente da República se mandou para Portugal e, de lá, concedeu uma entrevista, após dias de silêncio, dizendo-se traído, sem jamais, contudo, revelar os traidores. No trágico episódio do acidente da TAM, em São Paulo, em 2007, em pleno “apagão do setor aéreo”, que vitimou 199 pessoas, a “alma mais honesta do país” só deu as caras – e a voz – dias depois do ocorrido.
Durante os anos de petrolão e de operação Lava Jato – a despeito de inúmeras provas documentais, dezenas de testemunhas, imagens gravadas no tríplex do Guarujá e no sítio de Atibaia -, o pai do Ronaldinho dos Negócios sempre se saía com o tradicional “Não sei de nada”, “Pergunte para a dona Marisa”, “Eu não cuidava disso”. Tadinho! Sempre tão “raposa velha” em tudo e sempre tão enganado por todos.
Não são raros os comentários e as análises que preveem que Lula, a depender do cenário prévio das eleições de outubro, possa arrumar uma desculpa e não se candidatar a um quarto mandato, caso sinta sua “batata assando”. Muitos dizem que só topará a disputa se tiver uma certeza razoável da vitória, que parecia assegurada, até poucos meses atrás, quando todas as pesquisas lhe davam enorme vantagem.
Hoje, além de um cenário eleitoral completamente adverso, segundo todas as últimas pesquisas de opinião, pesa em seu desfavor a derrota acachapante sofrida na quarta-feira, 29, no Senado Federal, que não aprovou a indicação de Jorge Messias, o Bessias, para a vaga de ministro do Supremo, fato que não ocorria há mais de um século, escancarando a fragilidade política de Lula e toda a desarticulação de sua base no Congresso.
Com 80 anos e episódios recentes de problemas de saúde, Lula, fiel ao seu histórico, dispõe de álibis convenientes para sustentar uma eventual desistência da corrida ao Planalto. Os dois próximos meses serão determinantes. Se a “boca do jacaré” – a diferença percentual nas intenções de voto – se abrir contra ele, uma providencial “pressão da Janja” ou “estado de saúde” poderão servir de saída honrosa para recuar sem admitir derrota.
FONTE: Ricardo Kertzman
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