09/06/2026 às 09h37
Redação
Campo Grande / MS
Integrantes da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) demonstraram desânimo em relação aos novos anexos apresentados pelo banqueiro Daniel Vorcaro na nova proposta de delação premiada do ex-controlador do Banco Master.
Como mostramos, Vorcaro voltou a negociar uma delação. A retomada das tratativas ocorreu uma semana após a PF rejeitar uma primeira proposta de colaboração.
Conforme apurou O Antagonista, Vorcaro não somente deixou de apresentar fatos novos em relação à sua proposta de delação como também classificou como ‘normal’ algumas operações apontadas como suspeitas por integrantes da Polícia Federal.
Um caso específico diz respeito ao filme ‘Dark Horse’, que conta a vida de Jair Bolsonaro. Para Vorcaro, a destinação de 61 milhões de reais foi lícita, se tratou de uma relação privada e, segundo o banqueiro, não havia qualquer tipo de contrapartida.
Vorcaro, conforme apurou O Antagonista, também classificou como absolutamente lícitos os pagamentos para o senador Ciro Nogueira (PP). Para Vorcaro, os dois eram amigos e, por isso, ele custeou despesas pessoais do parlamentar como, inclusive, as férias dele na Europa.
Essa nova investiga para tentar fechar um acordo de delação partiu da defesa de Vorcaro. O banqueiro já teria se comprometido a, por exemplo, aumentar o valor de recursos a serem devolvidos aos cofres públicos. Na primeira proposta, era algo em torno de 40 bilhões de reais; agora, fala-se em 60 bilhões.
As negociações somente foram retomadas após o banqueiro se comprometer a entregar novos nomes e, de fato, colaborar com as investigações. A primeira proposta foi rejeitada porque os policiais entenderam que as informações prestadas por Vorcaro pouco colaborariam nos inquéritos que estão em curso.
Os policiais federais ainda não decidiram pela rejeição dessa nova delação premiada.
Conforme apurou O Antagonista, integrantes da Polícia Federal avaliaram que o material apresentado por Vorcaro na primeira proposta era frágil e boa parte da proposta da delação já foi alvo de análise direta dos integrantes do órgão.
Preso preventivamente desde 4 de março de 2026 no âmbito da Operação Compliance Zero, Vorcaro foi retirado em 18 de maio da acomodação especial na Superintendência da PF Brasília e passou a ocupar uma cela destinada a presos em trânsito na mesma unidade. Depois, Vorcaro foi transferido para a Papuda.
A Operação Compliance Zero, que motivou a prisão, apura suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas envolvendo o Banco Master. Vorcaro foi levado para a capital federal dois dias após a segunda prisão preventiva, em 6 de março, e permanece sob custódia da PF desde então.
FONTE: Wilson Lima
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