14/04/2026 às 09h25
Redação
Campo Grande / MS
O Banco Central do Brasil fez um alerta sobre o aumento do superendividamento no país, classificando o fenômeno como um problema em expansão que já atinge milhões de brasileiros. Os dados fazem parte do Relatório de Cidadania Financeira divulgado nessa segunda-feira (13).
De acordo com o levantamento, cerca de 117 milhões de pessoas encerraram 2024 com algum tipo de dívida junto a instituições financeiras. Em paralelo, aproximadamente 130 milhões de brasileiros — o equivalente a 74% dos que possuem relação com bancos — tinham acesso a limites de crédito disponíveis.
O estudo também destaca que o acesso a produtos financeiros cresceu de forma acelerada nos últimos anos.
Em um intervalo de quatro anos, 32 milhões de pessoas passaram a utilizar serviços bancários, o que representa uma expansão de 34%. No entanto, esse avanço veio acompanhado de maior adesão a linhas de crédito consideradas mais onerosas, como empréstimos sem garantia.
Entre os dados que mais chamam atenção está o salto no número de clientes com empréstimo pessoal, que cresceu 214% desde 2020, alcançando 41,7 milhões de usuários.
Já o contingente de pessoas com dívidas no cartão de crédito aumentou 55% no período, chegando a cerca de 53 milhões.
O cartão, inclusive, segue como um dos principais fatores de endividamento, com operações que somaram quase R$ 400 bilhões em 2024 — o maior volume já registrado pelo Banco Central.
Outras modalidades também apresentaram crescimento, como o cheque especial e o crédito consignado, ambos com cerca de 24 milhões de clientes cada. O crédito imobiliário avançou 23%, enquanto o financiamento de veículos teve alta mais tímida, de 3%.
Diante desse cenário, o governo Luiz Inácio Lula da Silva estuda alternativas paliativas para conter o avanço das dívidas. Entre as medidas em análise estão a unificação de débitos, o refinanciamento com redução significativa de juros — que pode chegar a até 90% — e a possibilidade de uso do FGTS para quitação parcial de pendências.
O Banco Central também ressaltou os impactos sociais do problema.
Segundo a instituição, o endividamento excessivo tem reflexos diretos na saúde mental da população, estando associado a quadros de estresse, ansiedade, depressão, distúrbios do sono e conflitos familiares.
Para o órgão, a combinação entre acesso facilitado ao crédito, baixa educação financeira e oferta inadequada de produtos contribui para que muitos consumidores assumam compromissos acima da capacidade de pagamento.
FONTE: BPMoney
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