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27/05/2026 às 08h54

Redação

Campo Grande / MS

Magno Malta aciona CNJ após juiz condenar pais por ensino em casa
Caso aconteceu no interior de São Paulo
Magno Malta aciona CNJ após juiz condenar pais por ensino em casa
Foto arquivo

O senador Magno Malta (PL-ES) protocolou uma Reclamação Disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o juiz Júnior da Luz Miranda, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), após a condenação de um casal do município de Jales (SP) por manter as filhas em ensino domiciliar.


De acordo com a representação apresentada pelo parlamentar, o magistrado condenou os pais a 50 dias de detenção em regime semiaberto, posteriormente convertidos em prestação de serviços à comunidade, além de determinar a matrícula das adolescentes, de 11 e 15 anos, em escola regular.


Na peça encaminhada ao CNJ, Malta sustenta que a atuação do magistrado extrapolou os limites da atividade jurisdicional e pode configurar violação aos deveres de imparcialidade, discrição, prudência e reserva previstos na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), no Código de Ética da Magistratura e em resoluções do próprio Conselho.


Um dos pontos centrais da reclamação envolve a condução processual relacionada à advogada da causa, Dra. Isabelle Monteiro. Segundo o documento, ela solicitou participação virtual em audiência por estar no sétimo mês de gestação e residir a mais de 400 quilômetros da comarca de Jales.


O pedido teria sido negado pelo magistrado. Posteriormente, já em condição de mãe lactante de um bebê de três meses, a advogada apresentou novo requerimento para participação remota, igualmente indeferido.


A reclamação afirma que, no mesmo processo, o juiz autorizou a participação virtual de outros envolvidos, incluindo testemunhas e réu preso, o que, segundo o senador, evidencia possível “tratamento processual assimétrico” e afronta às diretrizes da Resolução CNJ nº 492/2023, que instituiu o protocolo para julgamento com perspectiva de gênero.


O documento também menciona manifestações públicas atribuídas ao magistrado em rede social sobre o caso, ainda pendente de trânsito em julgado. Segundo a representação, o juiz teria feito comentários considerados incompatíveis com a postura exigida pela magistratura, além de manter contato privado com a advogada da causa por meio de mensagens diretas em rede social.


Para o parlamentar, as condutas narradas podem comprometer a confiança pública na imparcialidade do Poder Judiciário e justificar a atuação correcional do CNJ. O senador pede o recebimento e processamento da reclamação disciplinar, a notificação do magistrado para prestar esclarecimentos, a instauração de procedimento de apuração e eventual aplicação das sanções cabíveis, caso sejam constatadas irregularidades.

FONTE: Kleber Pizão

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