13/06/2026 às 08h53 - atualizada em 13/06/2026 às 09h28
Redação
Campo Grande / MS
O Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) agem nos bastidores para readequar o tom dos discursos e das estratégias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a cúpula do G7, que ocorre entre 15 e 17 de junho de 2026, em Évian, na França.
A principal preocupação da gestão petista é blindar o mandatário brasileiro de um eventual embate direto ou de constrangimentos públicos perante o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A mudança de postura ocorre após a Casa Branca oficializar a imposição de um novo “tarifaço” sobre produtos brasileiros, estabelecendo sobretaxas que podem chegar a 37,5%, além de uma taxa padrão de 10%.
Inicialmente, o plano do governo brasileiro não previa a ida de Lula ao evento europeu, mas o Palácio do Planalto alterou a agenda oficial e confirmou a participação do petista com o objetivo central de tentar abrir um canal de diálogo e reverter o impacto econômico das medidas restritivas americanas.
Historicamente focado em discursos voltados à retórica da “soberania nacional” e críticas ao protecionismo de grandes potências, o governo federal agora recalcula os riscos de manter uma postura confrontante.
Auxiliares diretos admitem que uma abordagem agressiva por parte de Lula na França poderia resultar no efeito oposto, desencadeando sanções ainda mais severas por parte de Washington e prejudicando os setores exportadores do Brasil.
O temor do governo brasileiro reside na reconhecida imprevisibilidade do líder republicano. Integrantes da oposição no Congresso Nacional apontam que o Planalto tenta evitar que Lula seja alvo de críticas públicas diretas de Donald Trump em solo internacional, especialmente em temas sensíveis como a condução das liberdades institucionais, denúncias de perseguição a opositores políticos e o cenário de segurança jurídica no Brasil.
Até o momento, não há nenhuma reunião bilateral formalmente confirmada entre Lula e Trump na agenda oficial do G7.
O Palácio do Planalto condiciona a realização de um encontro de alto nível ao avanço prévio de negociações técnicas e videoconferências entre equipes ministeriais dos dois países, que tentam destravar as discussões sobre o comércio de biocombustíveis, aço e manufaturados.
A diplomacia brasileira tenta equilibrar a necessidade de respostas à opinião pública interna com a dependência econômica do mercado norte-americano.
Enquanto parlamentares da oposição ressaltam a fragilidade da posição do governo brasileiro perante a nova liderança da Casa Branca, os articuladores políticos do Planalto recomendam cautela máxima para que o evento na França não se transforme em um palanque de desgaste político para a gestão federal.
FONTE: Pedro Taquari
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