23/09/2015 às 12h55
Redação
Campo Grande / MS
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta quarta-feira que a manutenção de parte dos vetos da presidente Dilma Rousseff a itens da chamada "pauta-bomba" impede a criação de novos impostos. "Cada vez que se cria um novo gasto, cedo ou tarde haverá repercussão nos impostos", afirmou ele durante seminário sobre segurança jurídica no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília.
Em sessão que durou cerca de cinco horas, os parlamentares mantiveram 26 dos 32 vetos presidenciais a medidas com potencial de piorar ainda mais o resultado das contas públicas, como a que alterava o cálculo do fator previdenciário. A sessão foi encerrada pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), por volta das 2 horas da manhã por falta de quórum. Ainda falta apreciar um dos principais pontos da pauta, que prevê um reajuste de mais de 70% no salários dos servidores do judiciário.
O ministro da Fazenda também afirmou que não se pode entrar no "frenesi" de diminuir gastos sem olhar os objetivos. O governo tem sido constantemente criticado por empresários e economistas por apostar majoritariamente na criação de impostos para cobrir o déficit do Orçamento de 2016.
Levy ressaltou que é importante observar gastos como os de telefones celulares, aviões, helicópteros e ar condicionado de gabinetes, mas ponderou que o tamanho do Estado é definido pelos grandes programas. "E os grandes programas merecem ser visitados. Não pode entrar numa política sem análise que, no frenesi de diminuir gastos, se venha a deteriorar outros objetivos", completou.
O ministro também fez questionamentos sobre a sustentabilidade das contas da Previdência Social. Para ele, é preciso verificar se aposentar aos 53 anos é sustentável, já que a expectativa de vida está em 83 anos e continua crescendo. Também contestou a participação "tão grande" da aposentadoria rural na Previdência. "Isso está alcançando o objetivo? Está protegendo o trabalhador?". Segundo ele, o mesmo acontece no caso do seguro defeso, pago a pescadores. "Não sei qual a contribuição da pesca no PIB, mas 3 bilhões de reais para proteger os estoques de peixe é significativo", questionou.
FONTE: Veja
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